29 dezembro, 2009

Educar os filhos sem Deus é condená-los a uma vida sem sentido e sem esperança!

Os pais no dia do seu casamento (aqueles que se casaram pela Igreja ou seja, aqueles que celebraram o sacramento do matrimónio) e no dia do Baptismo dos filhos comprometeram-se a educá-los na fé, segundo a lei de Deus e da Igreja. Serão os pais fiéis ao compromisso assumido? E terão consciência de que na fidelidade a esse compromisso manifestam o seu grande amor (ou a falta dele) aos seus filhos?

Os pais conhecem com verdade Jesus de modo a podê-lo dar a conhecer com persuasão aos seus filhos?

  • Acreditam efectivamente nele de modo que lhes possam transmitir a fé com convicção
  • Vivem com coerência a sua fé de modo a serem autênticas testemunhas para eles
  • Rezam regularmente em família de modo a que os filhos possam aprender a rezar com eles?
  • Mandam os filhos à catequese e manifestam interesse necessário pelo seu aproveitamento?
  • Acompanham-nos na celebração da Eucaristia dominical de modo a que os filhos se insiram na vida da comunidade cristã?
Educar os filhos sem Deus
é condená-los a uma vida sem sentido e sem esperança.
Quando falta o sentido da vida e a esperança, os jovens, com facilidade e muita frequência, enveredam por caminhos perigosos, em que arruínam a sua vida, comprometem o seu futuro e roubam a paz aos seus próprios pais.
Quando chegam a estas situações, os pais, normalmente, culpam a sociedade. E, de facto, a sociedade, com os contra valores que propõe e defende, empurra e facilita nesse sentido. No entanto, devemos reconhecer que, quase sempre, os pais são os principais responsáveis. E são também os que pagam mais caro por isso.
Deus está definitivamente excluído da vida de muitas famílias e, consequentemente, a fé não é uma componente que interesse no processo educativo familiar. Por sua vez, o êxito da educação é avaliado segundo critérios pouco abrangentes.
  • Alguns pais consideram que estão a educar ou educaram bem, porque os seus filhos têm sucesso nos estudos ou nas actividades e iniciativas em que se envolvem.
  • Outros argumentam que nunca ninguém se chegou ao pé deles a fazer queixa dos filhos. Pudera, quais são os educadores ou os vizinhos que estão para arranjar problemas e conflitos com os pais?
  • Outros ainda que os filhos são muito amorosos e conseguem fazer tudo o que querem deles. Pudera, a maior parte dos pais fazem tudo e mais alguma coisa aos filhos para não os contrariarem nem terem chatices com eles!

Desde a minha perspectiva – e penso que é correcta e legítima - os pais só começam a saber se estão a educar bem os filhos, quando estes começam a fazer algumas renúncias ou algum sacrifício por eles. E só o sabem com certeza, quando os filhos, já adultos, os tomam a seu cuidado, na doença e na velhice. Sim, só no ocaso da vida, os pais ficam a saber se investiram bem na educação dos seus filhos.

Sem Deus, sem a luz da fé e a força do amor cristão, é difícil que os filhos se sintam disponíveis para retribuir aos pais o bem que estes lhes fizeram. Mas se os pais nada ou pouco fizeram para lhes transmitirem estes dons (da fé e da vida cristã), então também pouco ou nada podem esperar dos filhos quando deles precisarem! É o que está a acontecer a muitos pais. E é o que vai a acontecer à maioria.

Família, não tenhas vergonha nem consideres perda de tempo rezar em casa ou celebrar a fé com toda a comunidade cristã, na Eucaristia dominical!

Família, deixa que Deus te ajude a concretizar os teus sonhos e a realizar a tua missão!
Família, toma consciência de que, se és verdadeira família, tu és imagem de Deus e revelação do seu amor! Descobre e vive a grandeza do que és e a beleza da tua missão no mundo!
Família, nunca esqueças que os filhos são o maior dom de Deus e são a tua maior riqueza e, por sua vez, são o melhor dom que tens para dar à sociedade.
Família, tu precisas de ser família e não esqueças que em ti está o futuro da humanidade!
Ámen.

24 dezembro, 2009

O Natal é uma lição extraordinariamente bela da humildade de Deus!

Em Jesus, Deus faz-se próximo do homem e coloca-se ao ser serviço! Deus é feliz a amar os homens, a dar-se a eles, a salvá-los! Deus, com o seu modo de agir em relação a nós, ensina-nos que a grandeza e a felicidade está em amar e servir os outros.


Lição difícil de aprender e de viver.
Tanta vaidade e ostentação na Igreja de Jesus! Tanto poder e carreirismo e tão pouco espírito de serviço! Tanta ambição e ganância em vez de desprendimento e despojamento em relação aos bens deste mundo! Tanta visibilidade e aparências (nas vestes, nos títulos, nos privilégios) e tão pouca preocupação com o testemunho e a coerência de vida!

E mesmo nos simples fiéis, como é grande a tentação de dar nas vistas, de chamar a atenção, de procurar os aplausos dos homens e recompensas humanas, em vez de tudo fazerem movidos pela fé e por amor de Deus! Quando isto acontece, quando procedemos assim, é sinal de que Jesus ainda não nasceu no nosso coração, e ainda não fizemos a experiencia da presença e do amor de Deus na nossa vida!

Celebramos o Natal de Jesus
num tempo em que a sociedade tudo faz
para excluir Jesus do Natal.

  • Desde logo, a publicidade – e tanta publicidade se faz - em torno do Natal, sem uma única referência a Jesus. Fala-se do Natal, vende-se o Natal, promovem-se as pren-das, estimula-se o consumo, como se Jesus não estivesse na origem do Natal e não fosse a sua verdadeira razão de ser.
  • Para muitos, mesmo para muitos baptizados, o Natal fica reduzido às prendas, à árvore de Natal e ao Pai Natal. Maldito Pai Natal que se apropriou do Natal, usurpando o lugar a Jesus. Temos medo de dizer a verdade às crianças à cerca do Pai-Natal, mas não temos qualquer vergonha de lhes escondermos o Menino Jesus e a sua verdadeira mensagem! Se somos verdadeiros cristãos, e celebramos efectivamente o Natal de Jesus, não demos guarida ao Pai Natal nas nossas casas, não queremos aquele velho de barbas brancas a subir pela chaminé das nossas casas. Pelo contrário, metamo-lo na rua e declaremos-lhe guerra!
  • Uma sociedade sem Deus é uma sociedade que acaba por contradizer-se a si mesma, sendo incapaz de garantir os valores e os direitos que pretende defender em nome e em favor do homem, tais como a vida, o amor, a liber-dade, a justiça, a tolerância e a paz. Uma sociedade sem Deus pode garantir progresso e bem-estar (a alguns ou mesmo à maioria), mas condena os homens a viverem sem horizontes de futuro e sem esperança.

Nós celebramos o Natal de Jesus e consideramos Jesus como o grande Dom – o maior presente – de Deus à humanidade. Nós celebramos o Natal de Jesus e queremos que Jesus viva e actue em nós todos os dias. Queremos e deixamos que Jesus, através de nós, continue a revelar Deus, a amar os homens, a renovar o mundo, a conduzir a história para a sua plenitude. Nós queremos que o Natal seja de Jesus e que Jesus seja a luz e a salvação de todos os homens. Ámen.

23 dezembro, 2009

Testemunho real: como o André entrou e saiu do mundo da droga.

Alemanha, 19 de dezembro de 2009.


Chamo-me André Carvalho Marques, nasci em 23 de janeiro de 1982, natural de Feira de Santana-BA, meu pai Antônio Gerson Sena Marques e mãe Rita de Cássia Carvalho Marques.
Quando nasci fiquei alguns dias sem nome, eu sou o primeiro neto por parte de pai e meu avô muito feliz com o primeiro neto, sugeriu a minha mãe colocar o meu nome de Idelfonso, que olhando no Almanaque esse seria o nome de sorte para mim, porém minha mãe não gostou muito da idéia e disse-o que era muito feio esse nome e iria ver outro. Nisso eu fiquei uns 15 dias sem nome e certo dia mamãe acompanhando uma Missa transmitida pelo rádio escutou o Evangelho de Marcos ( 1 ; 16-18), onde Jesus chamava aos discípulos a segui-lo, e no meio desses estava o André irmão de Simão que eram pescadores e Jesus os chamavam a serem pescadores de homens , por isso pensou em colocar-me esse nome , mas minha vó não gostou muito porque conhecia algumas pessoas com o nome de André que não faziam coisas muito boa , mas assim fui registrado com o nome de André.Após 6 meses meu avó faleceu e mamãe ficou com um pouco de remocio por não ter colocado o nome que ele queria, mas com esse nome fiquei.

Tenho duas irmãs, uma com 23 e outra com 22 anos. Desde a minha infância fui muito querido pela minha família, mas quando tinha meus 6 a 7 anos, não me recordo bem a idade, houve a separação dos meus pais, onde minha mãe saiu de casa com minhas duas irmãs e foram morar em outro lugar e eu fiquei morando com vovó (mãe de papai) e papai continuo morando em frente a casa de vovó. Isso foi uma dor muito grande para mim, sofria muito com isso, ao me deitar, todas as noites em meu quarto sozinho chorava muito quando lembrava da separação dos meus pais, como morava só vóvó e eu me sentia muito só, mesmo com tudo isso sempre vinha mamãe e minhas irmãs e papai o contato era todos os dias, mas era muito diferente de viver juntos e um dos motivos da separação foi por causa da bebida de papai e com a separação ele se entregou totalmente a bebida e me doía muito o vendo bebendo, às vezes ia buscá-lo no bar porque não agüentava chegar a casa, e tudo isso não falava a ninguém, ficava preso dentro de mim e criava um vazio. Às vezes presenciava vóvó fazer vários trabalhos em Candomblé para ver se curava papai da bebida, mas só fazia piorar.

Eu não conseguia aceitar essa situação familiar, sempre fui bom aluno, nunca perdi um ano letivo, fiquei somente uma vez em recuperação em uma matéria. Aos 10 anos comecei a andar na rua com os colegas , quando estava com eles esquecia por alguns momentos todas essas dores que passava, achava que a vida era aquilo, brincar e se divertir ao ponto de com 13 anos experimentar o cigarro de haxixe, tudo para preencher o vazio que existia dentro de mim, para ver se esquecia, mas não adiantava, fui me envolvendo sempre mais, minha família quando veio abrir os olhos já estava super envolvido, cheguei a me viciar na cocaína e para sustentar o vicio tive que começar a pegar as coisas dos outros, dentro de casa, dinheiro de vóvó e o que eu achasse pela frente, minha vida virou um terror.
Com 15 anos , quando minha família soube do que estava fazendo, me forçou ir a um centro de recuperação próximo a minha cidade, mas só fiquei lá 7 dias e fugi , ao retornar, não fui morar mais com vóvó, fui morar com mamãe e minhas irmãs , mas não deixava de andar na casa de vóvó e papai que era próximo, já não parava mais em casa e fiz todos eles sofrerem muito. Cheguei a comercializar drogas e a fumar crak, foi o fundo do poço pra mim e minha família. Quando meu pai soube que eu estava usando drogas, começou a se entregar mais ainda no álcool, porque seria a maior dor do mundo para ele, saber que eu estava usando drogas.

Com meus 17 anos não tinha mais esperança nenhuma de vida, chegar aos meus 18 anos já não se passava de um sonho devido à vida que estava levando. Toda vez quando eu chegava em casa na madrugada dopado, mamãe me dizia: “MEU FILHO, EU NÃO VOU VER VOCÊ MORRER NESSA , NÃO FOI PARA ISSO QUE VOCÊ VEIO AO MUNDO, UM DIA AINDA VOCÊ VAI SER PESCADOR DE HOMENS”.Confesso, que não dava muita importância para isso. Foi quando mamãe um dia me fez um convite, lembro-me como hoje sentada no sofá de casa comigo, olhando nos meus olhos me perguntava: “ Meu filho você quer mudar de vida?” e continuava me falando da Fazenda da Esperança e de uma rapaz que se chamava Alexandre, ele tinha passado o mesmo problema que eu e estava na Fazenda da Esperança, mas esses dias ele estava visitando a sua família em Feira e se eu não gostaria de conversar com ele para ir pra Fazenda e aceitei conversar com ele e na conversa decidir ir para a Fazenda e falei para mamãe assim: ”Mamãe, nem que seja a ultima coisa que eu faça em minha vida, eu vou a Fazenda, porém se eu não gostar de lá no outro dia estarei de volta e pode me deixar de mão”. A principio fui escondido de papai, porque ele não iria aceitar uma internação minha em um centro de recuperação, na sua concepção se eu quisesse largaria em casa, e nessas aventuras toda eu chegava na Fazenda da Esperança São Miguel em Lagarto- SE no dia 29 de março de 1999.

No inicio não entendia nada, mas sentia algo diferente neste lugar, observava pessoas com problemas maiores que os meus e eram alegres e felizes, mas eu não sabia por quê.

Escutava muito a linguagem do Amor, mas com a vida que tive no mundo, fica imaginando como poderia Amar outro homem, aos poucos fui percebendo que o Amor era cada gesto que eu fazia ao próximo, com o pegar um papel do chão, forra a cama de um irmão e outros factos, mas a caminhada não foi tão fácil. Lembro-me que ao escrever a primeira carta para papai dizendo onde eu estava, dias depois recebi a resposta dele se lamentando por ter sido o último a saber.
Com 3 meses na Fazenda fui chamado a ser coordenador de uma casa, para mim foi um momento de muito crescimento e a alegria que eu procurava nas drogas encontrava em cada ato concreto de Amor que fazia ao meu próximo. Lembro-me de quantas as vezes que tinha alguém doente eu ia atrás de remédio para levar pra ele na cama, como isso me fazia um bem e assim fui construindo a minha caminhada na Fazenda.
Durante o meu período de recuperação, foram poucas visitas que recebi da minha família, era difícil, por que com a experiência que estava fazendo via à importância de se estabelecer esse relacionamento com a família e dentro da Fazenda seria uma grande chance, mas nunca desanimei e fui para frente.

Completei 1 ano e sentia fortemente o desejo de continuar essa experiência de viver no meio dos jovens e assim doando a minha vida para Deus. Mas sentia também que a minha droga não era somente a maconha, cocaína e o crak, mas sim aceitar a minha família como ela era. Com isso sentia que ainda me faltava o relacionamento com minha família, comecei a ir em casa passar 10 dias, outras vezes 20 e assim por diante e nessas idas sempre encontrava as coisas do mesmo jeito, meu pai ainda bebendo e me doía muito, porém agora tinha claro que deveria ama-lo desse jeito, não cobrando nada e sim comecei a ama-lo. Em uma dessas idas minha em casa, estava chovendo muito e a casa dele estava cheia de goteiras, não conseguia subir no estado que estava, então subi em cima da casa e concertei todas as goteiras, outro dia me pediu para comprar uma bebida, na hora pensei comigo: “Sofro vendo papai beber e agora vou comprar bebida pra ele?” Mas senti que nesta hora seria uma chance que teria de ama-lo, porque se eu não fosse ele iria e poderia acontecer alguma coisa pior, já estava embriagado, fui e comprei.

E uma experiência que me marcou profundamente foi que eu tinha passado uma carta por fax no dia de seu aniversário que era no dia 28 de janeiro, o meu é dia 23 de janeiro, ele tinha feito uma carta pra mim, porém não tinha colocada no correio. Em uma dessas idas em casa em agosto de 2002, o encontrei mais uma vez embriagado, mesmo estando assim me chamava para sentar na cama e pedia-me para ler a carta que tinha feito no dia do meu aniversário, mas não tinha enviado; na carta falava de quanto estava feliz da vida que eu estava levando, o quanto me amava e que eu era um filho muito querido por ele e em seguida me dava dois beijos no rosto, na hora não contive as lagrimas, porque esse fato era algo que eu não me lembrava de meu pai já ter feito comigo.

Com minha mãe nessas idas em casa, sempre quando eu ia sair à noite, fazia a experiência de dizer para onde eu ia, com que e que horas chegava coisa que nunca eu tinha feito, quantas das vezes que conversávamos até tarde da noite e tudo isso me dava uma alegria plena.

Essas experiências me ajudaram a ficar livre para atender o chamado que sinto de Deus a viver no meio dos jovens.

Os anos se passaram, passei 5 anos na Fazenda em Sergipe onde tudo começou para mim, fiquei 3 anos que na Fazenda da Esperança São Domingos em Porto Nacional-TO e hoje sou um consagrado da Obra e me sinto realizado como homem.

Quando posso, vou uma vez ao ano visitar a minha família que hoje muito valorizo. E para maior alegria papai já está com 6 anos sem beber, com isso vejo a manifestação de Deus.

E sempre me lembro da frase que minha mãe me dizia quando eu chegava em casa na madrugada dopado: “MEU FILHO, EU NÃO VOU VER VOCÊ MORRER NESSA , NÃO FOI PARA ISSO QUE VOCÊ VEIO AO MUNDO, UM DIA AINDA VOCÊ VAI SER PESCADOR DE HOMENS “.

Agora estou a 2 anos na Fazenda da Alemanha, onde no inicio fiz uma experiencia de viver o Amor concretamente em atos, porque até entao não tinha possibilidade de falar por causa que não dominava o idioma.


Quando vejo que estou com 27 anos,
só tenho a agradecer a Deus,
e a minha forma concreta de agradecimento
é doando a minha vida a Ele nesta causa dos excluídos.

Tenho 10 anos de Fazenda e sempre mais me sinto feliz nesta vida que levo.
Hoje tenho algo que me alimenta e me ajudar a passar por todos os meus problemas que é O AMOR A DEUS E AO PRÓXIMO e assim tenho a alegria de dizer que nasci de novo.

André Carvalho Marques

17 dezembro, 2009

A Agência Ecclesia divulga o projecto "Fazenda da Esperança" em Portugal




Projecto internacional de recuperação de toxicodependentes chega a Portugal
«Fazenda da Esperança» conta com o apoio da Diocese da Guarda, da Câmara de Celorico da Beira e da Fundação AIS
O Projecto internacional «Fazendas da Esperança», de recuperação de pessoas dependentes de drogas e álcool, vai chegar a Portugal. A iniciativa é apresentada esta Sexta-feira, 18 de Dezembro, no Centro Pastoral D. João de Oliveira Matos, em Celorico da Beira.
Nascido há 24 anos, e com mais de 65 centros localizados em países como Brasil, Alemanha, Argentina, México, Paraguai, Rússia, Filipinas, Moçambique, a «Fazenda da Esperança» é uma comunidade católica que visa a recuperação dos mais variados tipos de dependência, através do trabalho, vida comunitária e espiritualidade.
Aberto a pessoas de todas as religiões ou sem religião alguma, o tratamento dura um ano e quem a ele recorre tem assistência básica, sendo viabilizada a sua permanência na entidade.
Com o apoio da Diocese da Guarda, da Câmara Municipal de Celorico da Beira, da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre e de particulares, este projecto dá agora os primeiros passos em Portugal, estando prevista a construção da primeira casa de acolhimento no Concelho de Celorico da Beira, revela um comunicado enviado à Agência ECCLESIA pela Diocese.
A apresentação pública deste projecto estará a cargo do Padre Christian Heim, responsável pelas Fazendas da Esperança na Europa. Neste evento, estarão ainda presentes dois voluntários brasileiros que trabalham numa «Fazenda da Esperança» na Alemanha e que irão partilhar a sua experiência.
Em Maio de 2007, no Brasil, Bento XVI visitou a comunidade da Fazenda da Esperança, manifestado o seu “apreço por esta Obra, que tem como alicerce espiritual o carisma de São Francisco e a espiritualidade do Movimento dos Focolares”.
“Mediante uma terapia, que inclui a assistência médica, psicológica e pedagógica, mas também muita oração, trabalho manual e disciplina, são já numerosas as pessoas, sobretudo jovens, que conseguiram livrar-se da dependência química e do álcool e recuperar o sentido da vida”, disse então.


ACOMPANHA O ANDAMENTO DESTE PROJECTO EM:http://fazendadaesperancamacaldochao.blogspot.com/

23 novembro, 2009

Neste Natal ponha Jesus em sua casa

“Anuncio-vos hoje uma grande alegria que é para toda a gente!” (S.Lucas 2.10)

Esta notícia, diz-nos o Evangelho de S. Lucas, foi dada pelos anjos aos pastores no dia em que Jesus nasceu em Belém. Nenhum daqueles homens poderia suspeitar que naquela noite, no meio dos afazeres dos seus trabalhos, haviam de levantar os olhos ao céu para encontrarem Aquele que lhes era anunciado: “um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.” Ficaram os pastores cheios de alegria e voltaram para o seu ganha-pão com uma esperança renovada que não deixaram de comunicar.

Dois mil anos depois, o convite para levantar os olhos e contemplar o Deus Menino continua, nos dias de hoje, a ser dirigido a todos os homens e mulheres. Esta iniciativa dos Estandartes de Natal procura aproximar o Menino do presépio daqueles que, com um simples levantar de olhos, se cruzarem com Ele nas varandas e janelas das nossas casas.

Nestes dias que nos encaminham para o Natal, as nossas famílias cristãs retomam o sentido verdadeiro desta quadra festiva: que o nascimento de Jesus e a sua presença no meio dos homens é a causa da nossa alegria. Por isso, a pensar em amigos e para amigos, surgiu esta ideia de partilhar com todos os que passarem diante das nossas casas que a razão da nossa esperança está nAquela vida acabada de nascer.

Uma vida nova vem sempre acompanhada duma expectativa marcada por um sinal de esperança. Este foi o conteúdo da mensagem dos anjos: que em qualquer realidade familiar ou profissional, quando Jesus se torna presente, tudo ganha um sentido que até então parecia desconhecido. Com os Estandartes de Natal apenas continuamos o anúncio, feito nestes moldes originais, de proclamar às gentes da nossa terra que nestas famílias a esperança e a razão da alegria já lhes entraram pela casa adentro, reveladas na pequenez de uma Vida.

Nunca um rosto e o sorriso de um menino acabado de nascer passam despercebidos a quem quer que seja. Por isso, nada melhor que mostrá-Lo a todos os que passam nas correrias deste tempo nas ruas onde moramos... Que alguns olhos parem quando fixarem os olhos pequeninos daquele Deus Menino. E que, quando no regresso à pressa de se chegar para onde se ia, aqueles primeiros olhos baixarem, permaneça o olhar do Menino que acalma e tranquiliza todo o coração.

Com os estandartes colocados em cada casa chegou o tempo de anunciar que esta alegria é para toda a gente...

Um Santo Natal!


Pe. Hugo Santos
(Capelão da Universidade Católica Portuguesa)

Fonte: http://www.estandartesdenatal.org/

22 novembro, 2009

"Vim a este mundo para dar testemunho da Verdade"

Jesus veio ao mundo dos homens para dar testemunho da verdade de Deus. A verdade de Deus é o amor, pois “Deus é amor”. Sim, Jesus veio a este mundo revelar a verdade do coração de Deus, testemunhar quanto Ele ama os homens e desvendar os seus desígnios a respeito do mundo e da história. O Deus amor sonhou e ama cada homem como seu filho e com todos os homens sonhou e quer formar uma única família.
“Vim para dar testemunho da verdade”:
  • A verdade de que Deus é Pai e ama imensamente o homem e que, por conseguinte, cada homem deve amá-lo com todo o seu coração, deixando “que Ele seja Deus na sua vida”. Dar a Deus a liberdade de ser Deus na sua vida, de manifestar nele todas as potencialidades do seu amor! Caso contrário, o homem não poderá experimentar a grandeza de Deus e nunca O chegará a conhecer verdadeiramente.
  • A verdade de que cada homem é um irmão e que, por isso mesmo, cada um deve amar o seu semelhante como a si mesmo, vendo nele um filho de Deus. Este amor fraterno é, antes de mais, doação e abertura do nosso coração e da nossa vida aos outros filhos de Deus. Depois, amor ao próximo é verdade e autenticidade, humildade e mansidão, justiça e solidariedade, misericórdia e perdão, transparência e pureza de coração e de intenções, unidade e paz.

Jesus, dando testemunho da verdade, torna possível o mundo novo - um mundo que corresponde aos sonhos de Deus e às aspirações dos homens. Na verdade, Jesus veio a este mundo para que o seu reino, que não é deste mundo, transforme o mundo dos homens, ou seja, para que o mundo do dos homens seja também reino de Deus! Um mundo que se constrói segundo a verdade de Deus e em que os homens vivem ao ritmo do coração de Deus. Esse é o mundo em que todos os homens, e não apenas alguns, se podem realizar como pessoas e atingir a sua plenitude humana.

“Tu és rei?” Jesus é rei mas não é como Pilatos. E Pilatos pode estar sossegado porque Jesus não vem para lhe roubar o lugar. Mas vem, isso sim, para lhe ensinar, a ele e aos Pilatos de todos os tempos, que ser rei (governar) é uma missão e o poder deve ser exercido com espírito de serviço, com verdade e amor.

  • O poder não confere a quem o detém o direito de o usar em seu benefício pessoal nem para impor aos outros as suas ideias ou pontos de vista, as suas crenças ou descrenças, os seus valores ou a falta deles. Pelo contrário, quem governa assume o dever de promover e garantir o bem comum de todos os cidadãos.
  • “Mandar” encerra mais deveres do que direitos, realidade ignorada pela maior parte dos que mandam. Muitas vezes, eles esquecem que a legitimidade do cargo não se esgota no facto de terem sido escolhidos para ele, mas que pressupõe também a aceitação das responsabilidades e o cumprimento dos deveres que lhe são inerentes. Quem procura o poder, se o faz por vocação, deve estar mais motivado pelo desejo de fazer bem aos outros do que por conseguir vantagens para si próprio,
  • Infelizmente, em todos os tempos e em todos os regimes políticos, com muita frequência, o poder anda de mãos dadas e convive com a mentira e a hipocrisia, com a arrogância e a arbitrariedade, com a ambição e a vaidade, com a ganância e a corrupção.
  • Infelizmente, muitos governantes usam o poder para atentar contra direitos e valores que deveriam proteger e salvaguardar. É ilegítimo o uso do poder em tais circunstância, mesmo que seja um poder obtido democraticamente.

- É, pois, ilegítimo usar o poder para legislar contra a vida, como no caso do aborto e da eutanásia. A vida humana é anterior e vale mais do que qualquer tipo de poder humano. Por isso mesmo, nenhum poder humano se pode sobrepor à vida humana, decidindo o termo da mesma.

- Usa-se ilegitimamente o poder contra a família, quando se protege e favorece mais o divórcio que o casamento, ou quando se quer dar o estatuto de casamento às uniões de pessoas do mesmo sexo. As pessoas tem direito a ser diferentes, mas não podem, ao mesmo tempo, reivindicar os direitos como se fossem iguais. Ou uma coisa ou outra! É uma questão de justiça e de igualdade!

- Usa-se ilegitimamente o poder, quando os governantes favorecem os interesses dos ricos e dos grandes grupos económicos, em detrimento dos trabalhadores e dos cidadãos comuns, aumentando as desigualdades e as injustiças sociais.

- Abusam do poder aqueles que procuram erradicar, em nome dos direitos de certas minorias, os sinais religiosos dos lugares públicos, como a recente determinação do tribunal europeu que exige a retirada dos crucifixos das escolas italianas. Mas será que os direitos das minorias valem mais do que os direitos das maiorias? Ou, pior ainda, as maiorias, sobretudo se são maiorias cristãs, não têm direitos? Não é legítimo nem aceitável que o fanatismo religioso de alguns ou a descrença de outros roubem a liberdade aos cristãos, como se a liberdade destes valesse menos do que a intolerância daqueles.

- Na mesma linha, abusam do poder aqueles que, em nome de uma laicidade mal entendida, implementam uma educação sem Deus, esquecendo por completo a dimensão espiritual das crianças e dos jovens. Deste modo limitam os seus horizontes existenciais e impedem-nos de um desenvolvimento integral e harmonioso.

Jesus ensina, com o seu exemplo, que ser rei é servir, amando as pessoas ao ponto de se sacrificar e dar a vida por elas. O bem dos cidadãos é que deve motivar e animar toda a acção governativa. Só assim se constrói uma sociedade justa e fraterna, um mundo de amor e de paz.

10 novembro, 2009

Semana dos Seminários

De 8 a 15 de Novembro, a Igreja em Portugal celebra a Semana dos Seminários. Sobre este acontecimento, D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, escreve: “Neste ano, que é Ano Sacerdotal, queremos responder aos apelos do Papa Bento XVI, que nos pede a todos, sacerdotes e outros fiéis, que coloquemos como nossa prioridade o esforço por desenvolver a pastoral das vocações sacerdotais”. E acrescenta: “Peço, por isso, também a todas as nossas comunidades que, ao longo desta semana, tomem iniciativas concretas de oração e outras para dar resposta a este apelo do Papa, que é também a urgência que sentimos na nossa Diocese”.
Os ofertórios do dia 15 de Novembro, em todas as assembleias dominicais da Diocese, são para apoiar os seminários.

Nestes lugares sentir-se bem é natural

Mas que lugar lindo! Estas e outras expressões são as que recebemos tanto dos que visitam as Fazendas da Esperança como dos que chegam para lá passar 12 meses de luta para se recuperarem.

Os responsáveis procuram ficar atentos a harmonia das Fazendas, pois é ela que faz com que os recuperantes se sintam bem e aconchegados. “Muitas pessoas ao despedirem-se afirmam ter sentido a presença de Deus nas nossas casas e isso só é possível graças ao esforço dos jovens em manter a comunidade bem arrumada”, afirma frei Hans Stapel, franciscano, fundador da Fazenda da Esperança.
Os jovens recém-chegados, nos primeiros três meses de recuperação, inserem-se no chamado período de triagem, pois nesse período não recebem a visita dos seus familiares e esse é o tempo mais difícil para todos os internos.
Enquanto eles procuram organizar o seu interior desestruturados pelas drogas e álcool também ficam, na maioria das vezes, responsáveis pela harmonia das suas comunidades. Trabalham na jardinagem, nas limpezas dos espaços comuns e são acompanhados mais de perto para se poderem reestruturar.
Mesmo depois de passam por este momento, os recuperantes são orientados a continuar a viver a harmonia nas suas vidas. A limpar a casa de banho das sua casa, a arrumar a cama onde dormem, a lavar bem as roupas que usam...
Muitas vezes os responsáveis, procuram comparar o estado do seu guarda-roupa com o estado em que está a sua vida, buscam cativar os jovens a manter organizadas as obrigações que assumem dentro da comunidade terapêutica.
Reformar as casas, pintar, procurar que fiquem bonitas é a obrigação de todos como também a de procurar conservar o que tem, não usar de forma errada e procurar não interferir de forma negativa onde moram faz parte do dia a dia dos “fazendeiros”.
No primeiro momento é um pouco complicado, pois os jovens chegam da sociedade completamente destruídos, sem chão, sem rumo, pois as drogas tiram-lhe tudo até mesmo o uidado que deviam ter consigo mesmo. No entanto, na Fazenda da Esperança tem a oportunidade de reconquistar isso.
Isso acontece quase indirectamente, porque quando um jovem consegue contribuir para a manutenção ou reconstrução de uma casa ele sente-se capaz de conduzir harmoniosamente sua vida.

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02 novembro, 2009

A FAZENDA DA ESPERANÇA está a nascer... no Maçal do Chão

Onde tudo começou

Fo nesta humildade terra onde tudo começou
Na igrejinha de Nossa senhora da Glória em que o frei chegou
Vivendo com simplicidade a dor, o Evangelho fez brotar
Uma semente de esperança, vários jovens passaram a sonhar

E no início tudo era apenas um sonho tão belo
mas no dia a dia formou-se com Deus um forte elo,
Naquele tempo muito poucos poderiam imaginar
que de pequenas obras algo de grandioso se iria formar.
.
Mas o caminho amigo não foi fácil não
Foi necessário muita luta, força e amor no coração.
As dificuldades surgiram e o sofrimento apareceu
Mas no final de tudo o amor prevaleceu.
Graças a Deus e a muita gente de boa vontade.
Todo este povo tem hoje uma nova realidade
De muita esperança pra ser feliz
Mas para isso muita gente morreu para o que quis.
.
Hoje o passado e o presente servem para nos mostrar
Que a vivência da palavra e a fé podem transformar
A vida de qualquer pessoa e fazer aparecer
Um novo mundo onde o que importa é o amor vencer.
.
E vários jovens passam a seguir essa filosofia
E um deles vive-a plenamente, exactamente numa esquina
Morrendo para a sua vontade, emprestendo o que era seu
Para outro jovem que com esse gesto percebeu
Que se o amor prevalece, algo de bom acontece
Como a fazenda da Esperança que até hoje ainda cresce (agora no MAÇAL DO CHÃO)
Tirando tantos das drogas e mostrando o amor de Deus
Dando um sentido à vida, pois esse sentido é Deus
por mais dificil que pareça ser uma situação
.
ACREDITE, ela tem uma solução
Olhe pra trás e veja como tudo aconteceu
De pequenes gesto de amor, uma nova realidade nasceu


CD "Devolver um alma ao mundo" - Fazenda da Esperança

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10 outubro, 2009

Ao ouvirem da boca de Jesus o que é necessário fazer para alcançar a vida eterna, os apóstolos concluem que a salvação não está ao alcance dos homens. Na verdade, a salvação não é algo que o homem possa conseguir só por si, apenas com o seu esforço. Pelo contrário, a salvação é, acima de tudo, um dom de Deus, só Deus pode conceder ao homem a vida eterna. Deus pode e quer. Por isso mesmo, Ele torna possível o que é impossível ao homem.
Deus torna possível, mas o homem tem de fazer a sua parte. A salvação tem de ser desejada e procurada pelo homem. O homem tem de aceitar e corresponder ao dom de Deus.
  • Num primeiro momento, e na resposta ao homem que O interpela, Jesus indica os mandamentos, enumerando aqueles que se referem ao próximo, como o caminho que conduz o homem à vida eterna.
  • Depois, lançando-lhe o desafio da perfeição, Jesus pede ao homem que abdique de todos os seus bens: “vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me”. O desprendimento não vale por si mesmo. Ele vale enquanto se traduz em partilha com os pobres. Além disso, a renúncia aos bens tem sentido na medida em que o homem fica mais livre para seguir Jesus.
Aquele homem sente-se perturbado com aquela exigência e considera que Jesus foi longe de mais. Ele, que antes tinha dito que cumpria os mandamentos desde a sua juventude, agora afasta-se de Jesus entristecido, porque tinha muitos bens e estava muito preso a eles.
  • Afinal, o homem não cumpria tão bem os mandamentos como ele pensava. Antes de mais, não cumpria o mandamento do amor a Deus, porque era aos bens e não a Deus que ele dava o primeiro lugar do seu coração e da sua vida. Depois, também não amava o seu próximo como devia, pois não estava disposto a partilhar com ele os seus bens.
  • Quem está agarrado aos bens materiais e confia excessivamente nas seguranças humanas, é alguém que também absolutiza as suas ideias e certezas, alguém que vive fechado na sua vida e vê tudo em função de si mesmo. Nestas circunstâncias, o homem perde a capacidade e a sensibilidade para amar o seu semelhante.

Contrariamente ao que pode aparecer à primeira vista, o “ser perfeito” não é algo mais para além do cumprimento dos mandamentos, mas sim a exigência de vivê-los de um modo radical. Não basta cumprir o “não” dos mandamentos: “não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não cometas fraude”. Amar não pode limitar-se ao não fazer mal às pessoas.
Pelo contrário, implica fazer algo de positivo por elas. Amar envolve e compromete necessariamente o coração do homem, passa por renunciar e a si mesmo e comunicar aos outros algo da sua vida e do que é.

“Quem pode então salvar-se?”
Tu estás efectivamente preocupado com isso?
Queres realmente salvar-te?
Para tal, estás disposto a dar a Deus a oportunidade de te salvar?
Mas antes: acreditas realmente na vida eterna?
Consegues sonhar para além dos limites do tempo e dos horizontes do mundo?
Vibras com a ideia de viver eternamente com Deus, usufruindo da plenitude da sua vida?
Aspiras a esse mundo de felicidade e fazes dele a meta última da tua caminhada existencial?

“Quem pode então salvar-se?”
Deus quer salvar-te. É o que Ele mais deseja para ti.
E tu queres que Ele te salve?
Mas, então, quem é que ocupa o centro do tua vida?
Qual é o tesouro no qual colocas o teu coração?
Qual é riqueza que tu persegues e o bem supremo pelo qual suspiras? És prisioneiro do teu egoísmo ou vives na liberdade do amor?
És suficientemente sábio para discernires aquilo que te proporciona uma felicidade ilusória e efémera daquilo que te garante uma felicidade consistente e eterna? E és suficiente-mente livre para escolheres a melhor parte?

Deixas que Deus te ame e, assim, te torne capaz de cumprires os seus mandamentos? Se não dás a Deus a liberdade de te amar, tiras-lhe a possibilidade de te salvar, pois só o amor de Deus salva o homem!
Para Deus tudo é possível e Deus quer fazer possível o que é impossível ao homem. Mas Deus, para o salvar, precisa do seu consentimento e da sua colaboração. E quando o homem se opõe a Deus, Deus fica impotente para fazer aquilo que mais pode e quer. Sim, o homem pode impedir Deus de o salvar!
Parece um paradoxo: Aquele que tudo pode, fica sem poder salvar o homem, porque o poder do egoísmo do homem pode anular, no seu caso pessoal, o poder do amor de Deus! Deus quer salvar o homem, mas o homem, exclusivamente por sua culpa, pode condenar-se!

“Que hei-de fazer?”
Tu já sabes o que deves fazer, qual a atitude que deves assumir perante Deus, qual o caminho que deves percorrer. Segue Jesus e sê coerente! Isto te basta!

HORÁRIOS - EUCARISTIA

Açores - Sexta- 18.00 h

A. Rica - Domingo - 14.30 h

HORÁRIOS DA CATEQUESE

2º ao 4º Ano - a definir

5º Ano - Sexta - 16.00 (Centro Pastoral)

6º ao 8º ano - Quarta - 16.00 (Centro Pastoral)

03 outubro, 2009

"...e os dois serão uma só carne"

Deus tem mesmo razão: “não é bom que o homem esteja só”. Não podíamos estar mais de acordo com Ele. Deus, porque é amor, sonhou e quis o homem como família. Coerente como é, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança.
Na verdade, sozinho e sem amor, sem alguém a quem amar e que o ame, o homem sente-se incompleto e infeliz. Inquieto e insatisfeito, o homem procura, por todo o lado e entre todos os seres vivos, a parte que lhe falta. E só sossega quando encontra alguém que lhe é verdadeiramente semelhante e, ao mesmo tempo, contém a diferença que o completa.

O homem descobre a razão de ser da sua vida e experimenta a alegria de viver, quando encontra alguém que é osso dos seus ossos e carne da sua carne. A esse ser, o homem chama mulher. A palavra hebraica revela que a mulher é a versão feminina do homem. Assim, ela é suficientemente semelhante e suficientemente diferente do homem. Por conseguinte, podem comunicar entre si e completam-se um ao outro.
O homem sente tal fascínio pela mulher (e o contrário vale de igual modo), o homem sente tão intensamente que não pode viver sem ela (e o mesmo experimenta a mulher em relação a ele), é tão extraordinário o amor que sentem um pelo outro que decidem viver um com o outro, ou melhor, viver um para o outro, unindo-se de tal modo que passam a ser uma só carne. Por outras palavras, dão origem a uma nova família.
O homem e a mulher só são felizes e só se realizam como pessoas numa relação de amor. E o amor conjugal é a primeira e originária forma de amor humano. De facto, só depois podem surgir as outras formas de amor: o amor paterno, o amor filial, o amor fraterno...
O amor conjugal é também o amor mais radical. Com efeito, o homem e a mulher deixam o pai e a mãe, para viverem o amor entre eles, dando origem a uma nova família (a um novo mundo de relações, de sonhos e de projectos existenciais).
Um amor assim, tão radical e tão intenso, é necessariamente um amor para sempre!

Jesus confirma que o matrimónio é um projecto e um compromisso para toda a vida. A autorização de divórcio, dada por Moisés, motivada pela dureza do coração dos homens, não invalida os desígnios de Deus sobre o casamento. O que Deus quis “no princípio da criação”, continua a ser ainda o que Deus quer e, por isso mesmo, mantém toda a sua validade.
A autorização/legalização do divórcio, bem como a frequência com que a ele se recorre não põem em causa a consistência do matrimónio validamente celebrado. Nunca um mal, pelo facto de ser legalizado, passa a ser bem. Nunca uma transgressão, pelo facto de ser praticada por muitos, pode ser legitimada por uma lei e, muito menos, considerada como um direito.

Mas, em que circunstância se pode falar de um casamento validamente celebrado, o único que é verdadeiramente casamento e, por isso mesmo, o único que é indissolúvel?
  • Antes de mais, é necessário o amor. Sem um autêntico amor entre os nubentes, falar de casamento é um absurdo.
  • Depois, é necessário que os nubentes conheçam e assumam as características e responsabilidades inerentes ao próprio casamento: a unidade e indissolubilidade, a procriação e a educação cristã dos filhos.
  • Em terceiro lugar, o consentimento deve ser plenamente livre, isto é, prestado sem qualquer tipo de coacção.

A realidade, aquela que nós conhecemos, diz-nos que, em muitos casos, os nubentes (às vezes os dois, outras apenas um deles) não satisfazem os requisitos mencionados.

  • Por vezes, falta o verdadeiro amor. Muitos, mais do que por razões do coração, são motivados pelo simples desejo ou mera simpatia (pela química que se gera entre eles).
  • Muitos negam, à partida, a unidade do matrimónio, ou seja, a fidelidade. Outros recusam-se a aceitar a indissolubilidade, considerando como algo de inconcebível e de insuportável viver toda a vida com a mesma mulher ou com o mesmo homem.
  • Há também quem exclua, positivamente e por mero egoísmo, a procriação e muitos mais são aqueles para quem a educação cristã dos filhos está completamente ausente dos seus horizontes matrimoniais.
  • E, embora menos frequentes do que no passado, ainda existem casos em que certas pressões familiares ou sociais se sobrepõem à vontade dos nubentes.

Quando se verifica uma destas situações, e basta que se verifique numa das partes, mesmo que seja celebrado na Basílica de São Pedro e na presença do Santo Padre, o casamento é inválido. Dizer que é inválido equivale a dizer que não houve casamento (nem contrato nem sacramento). A validade do casamento está efectivamente condicionada pelas disposições dos nubentes.

Assim, podemos afirmar que há muita gente que pensa estar casada pela Igreja e não o está, apesar de ter ido à igreja e aí se ter desenrolado toda a cerimónia religiosa própria do matrimónio.

Sendo assim, nestas circunstâncias, não deverá ser legítimo o divórcio? Nestes casos, nem sequer se pode falar de divórcio, uma vez que não houve casamento. É possível (e desejável), isso sim, requerer a declaração de nulidade do matrimónio.
Esta anulação pode ser declarada pelo tribunal eclesiástico, desde que se prove que, no momento do casamento, faltava algum dos requisitos fundamentais para a sua validade. Mais do que uma anulação do casamento (como se antes tivesse existido um casamento que é preciso anular), trata-se de declarar que nunca houve casamento.
Após esta declaração, cada uma das partes pode casar pela Igreja com um terceiro. Não se trata de um segundo casamento pela Igreja, mas do primeiro, uma vez que antes não houve casamento nem sacramento do matrimónio.

Para não haver tantos casamentos inválidos, separações e divórcios, é necessário e urgente que o casamento seja devidamente preparado e responsavelmente celebrado.
Como podemos concluir da primeira leitura, o casamento pressupõe uma procura intensa e recíproca, o reconhecimento da dignidade do outro e uma total entrega a ele.
O casamento só deve acontecer quando os dois sentem que não podem viver um sem o outro e sem viver um para o outro; quando o amor os leva a sonhar um projecto de vida comum para sempre.

Por sua vez, a Igreja deve levar os noivos a compreender melhor a grandeza e as implicações do casamento, bem como ser mais exigente na hora de abençoar a sua união. Não se pode dar cobertura a casamentos que se sabe, à partida, em razão das disposições e das intenções dos noivos, que são uma farsa e que vão ser um fracasso.

O casamento dos cristãos só é realmente casamento cristão, na medida em que os noivos o celebram à luz da fé e se dispõem a construir a sua respectiva família sobre a rocha firme da palavra de Deus.
Então, o casamento e a família serão o melhor espaço de realização e de felicidade do homem. Mais, a família será o melhor Céu na terra!

18 julho, 2009

"Trata-se de repor a verdade" - Marcos Gonçalves Vigário judicial da diocese do Funchal

O que significa conceder nulidade a um casamento?

Defender a verdade e realizar a justiça acerca do vínculo e das pessoas. A Igreja não anula casamentos, mas declara a sua nulidade através da instrução de um processo. Considera-se o matrimónio inválido por uma razão que tornou aquele vínculo inexistente e, por isso, as partes estão livres para celebrar um novo casamento. Trata- -se, assim, de repor a verdade.

Como é que a Igreja tem poder para dizer que um "contrato" feito entre duas pessoas e Deus não é válido?


Em nome de Deus. Assim começam as sentenças. Os tribunais eclesiásticos agem como instrumentos de justiça, de verdade na caridade e realizam a sua função num ordenamento canónico. Quando se introduz um processo suspeita-se acerca do contrato realizado. O tribunal estuda o matrimónio. Recolhe provas apresentadas, depoimentos das partes, das testemunhas, documentos e perícias e verifica se existiu algo que viciou o consentimento ou se houve alguma incapacidade das partes.

Quais os pressupostos que permitem dizer que não houve casamento?

Os casamentos são nulos pela existência de um vício no consentimento ou pela incapacidade das partes. Ou pela falta da forma canónica ou a presença de um impedimento matrimonial. O que faz o contrato matrimonial é a vontade das partes. Se existir um vício no consentimento, ou se estamos diante de pessoa incapaz de o contrair, há um matrimónio inválido.

A Igreja não divulga muito esta situação por ter receio que ela se generalize?

Poucas pessoas conhecem ou julgam que são processos demorados e caros. Os párocos deverão enviar para o tribunal casos que lhes passem pelas mãos.

O que é exigido para voltar a casar?

Depende. As sentenças podem proibir o casamento a uma ou ambas as partes ou requerer a consulta prévia do Ordinário. Noutros casos, onde não existem incapacidades presentes, as pessoas entram na preparação normal.

Acha que há, por aí, muitos casamentos nulos sem as pessoas saberem?

Na dúvida todos os matrimónios são válidos. "Dá-me os factos e eu dou-te o direito" - dizia-me sempre um professor.
Fonte: DN

07 julho, 2009

Com CRISTO venceremos

Letra original do Pe. Celso. Cântico de Comunhão da Missa solene.