27 abril, 2007

Dificuldades e desafios (continuação do II Cap.)

Muitos cristãos ainda têm uma certa dificuldade em entender a missão da Igreja, sobretudo a parte que diz respeito aos leigos. E da parte dos leigos, o que mais lhes custa a aceitar é o seu lugar na liturgia. Para vencer a ignorância e, mais ainda, o peso da tradição, impõe-se uma continuada e esclarecedora catequese sobre a Igreja. De facto, sem uma justa visão e compreensão da Igreja não é fácil aceitar as mudanças que se impõem. Porém, em muitos casos, o esclarecimento não parece suficiente. As pessoas até compreendem que os sacerdotes não podem fazer tudo e que os leigos, por direito próprio, podem fazer muitas coisas no âmbito da liturgia. Mas, mesmo assim, muitos continuam a exigir que o sacerdote faça tudo. Consideram que é “mais bonito”, “as coisas ficam mais bem feitas”, “as celebrações são mais válidas”. Nestes casos, resta apelar à conversão da mente e do coração. Só assim serão capazes de aceitar as mudanças e de participar mais activamente na vida da Igreja.
Todavia, não faltam aqueles que não querem ser esclarecidos nem se querem converter. Esses são, normalmente e como é fácil de adivinhar, os que menos praticam e menos querem com a Igreja e com o padre. Mas, sem que reconheçam a contradição em que caem, são os que mais exigem e mais alarido fazem para que tudo continue na mesma.
  • Querem e exigem a Eucaristia no casamento e que seja o sacerdote a presidir á celebração do mesmo. Mas antes, raramente ou nunca põem os pés na igreja, dispensando bem a Eucaristia dominical. E, depois do casamento, tarde ou nunca lá voltarão. E ao padre só o vêem e só o querem nessas ocasiões, porque lhes convém.
  • Querem e exigem a Eucaristia no funeral dum familiar, mas eles ficam fora da igreja, durante a celebração; querem que o padre acompanhe o cortejo fúnebre até ao cemitério, mas eles são capazes de ir a falar, durante todo o percurso; querem que seja o padre a orientar a oração no cemitério, mas eles não abrem a boca!
  • Querem ver o padre a fazer as procissões, mas eles não participam nas mesmas. Muitos limitam-se a colocar-se em lugares estratégicos das mesmas, para “ver a banda passar” e gozar o espectáculo. Todos estes querem o padre por uma questão de tradição e de bem parecer. E se os padres não fazem o que eles querem e como querem, acusam-nos de lhes fazer perder a fé e de acabarem com tudo.

Mas que fé é a deles, se não querem viver segundo a verdade do Evangelho e os ensinamentos da Igreja? Afinal, que fé é que eles perdem? Seguramente, não é a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo! E também podem estar certo que, em princípio, não são os sacerdotes que acabam com tudo. Muito menos acabam com o que é válido e deve permanecer. Convém esclarecer.

Há tradições que, por deixarem de ser uma adequada expressão de fé, podem e devem acabar.

Outras correm o risco de desaparecer, porque as comunidades ou alguns dos seus membros não aceitam que sejam orientadas pelos leigos.
Consequentemente, há tradições que acabam porque, por um lado, os padres não podem nem devem fazer tudo e, por outro lado, os leigos não assumem ou não lhes é dada a oportunidade de assumir a parte que lhes cabe.

É possível e desejável inverter esta situação. Assim o queiramos todos! Os cristãos, que o são apenas de nome ou por mera tradição, merecem certamente o nosso respeito e a nossa solicitude pastoral. Devemos insistir junto deles, com verdade e com caridade, para que vejam e entendam melhor a realidade do ser cristão e do ser Igreja. Porém, em nome da fidelidade ao Evangelho e à missão recebida de Jesus, não podemos permitir que eles, com a sua teimosia e os seus protestos, nos impeçam de avançar no justo caminho da renovação! Queremos e desejamos que eles caminhem connosco, mas não deixaremos de avançar no caminho, se eles persistirem em ficar para trás! Muito caminho tem deixado de ser percorrido na Igreja e em igreja por causa daqueles que não querem avançar!

A Paróquia e a Missão da Igreja (II Capítulo do livro do Pe. Martins)

A missão do sacerdote e dos leigos no âmbito da Paróquia.
Para que na paróquia se realize efectivamente a missão da Igreja, importa esclarecer melhor o que é específico da missão do sacerdote e o que é próprio da missão dos leigos.
Convém advertir, mais uma vez e antes de mais, que não é a diminuição de sacerdotes que leva a restringir a sua missão e a ampliar a dos leigos. Por menos que os sacerdotes sejam ou venham a ser, os leigos nunca farão o que é específico do ministério sacerdotal, como presidir à Eucaristia e perdoar os pecados. E por mais que os sacerdotes sejam ou venham a ser em qualquer parte do mundo, estes não devem “açambarcar” os serviços e ministérios laicais.
A missão dos leigos não depende do número dos sacerdotes existentes nem estes devem condicionar ou limitar a sua concretização no seio da Igreja. O âmbito e o alcance da missão dos leigos derivam do seu baptismo e consequente pertença a Cristo e à Igreja.
Assim e nessa medida, todos os leigos participam da missão da Igreja e são chamados a colaborar na sua realização. No entanto, alguns são chamados, devidamente preparados e mandatados para exercer os diferentes ministérios laicais.

A missão de ensinar, que corresponde à missão de Cristo Profeta.
Como profeta, Jesus anunciou, com palavras e obras, a Boa Nova do Reino de Deus, ou seja, o projecto de Deus relativo á salvação da humanidade.
A missão de ensinar concretiza-se, em primeiro lugar, no anúncio do Evangelho de Jesus. Depois, no aprofundamento da fé, através da catequese e outros meios de formação cristã.
O aprofundamento da fé é uma tarefa e uma exigência que se estende a toda a vida do homem. Por isso mesmo, também a catequese, ainda que com ritmos e intensidade diferentes, deve abranger toda a caminhada existencial do cristão. Deste modo, ela não se esgota na catequese da infância e adolescência, mas barca necessariamente os jovens e os adultos.
Entre outros meios de formação, destaca-se a preparação para os sacramentos, como a preparação dos pais e dos padrinhos no caso do baptismo, e a preparação dos noivos para o matrimónio.

A missão do sacerdote.
Na paróquia, o pároco é o principal responsável pelo ministério da palavra (a missão profética) e este, por sua vez, constitui o seu primeiro dever.
Com efeito, “os presbíteros têm, como primeiro dever, anunciar a todos o Evangelho de Deus, para que, realizando o mandato do Senhor: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a todas as criaturas”(Mc 16,15), constituam e aumentem o povo de Deus” (PO 4).
Os apóstolos confirmam que essa é a prioridade da sua missão, quando, verificando que não podem acorrer a todas as necessidades da comunidade cristã de Jerusalém, pedem que se escolham outras pessoas (os diáconos) para atenderem as viúva, os órfãos e os pobres. Nessa ocasião, argumentam: “não convém deixarmos a palavra de Deus, para servirmos à mesa ...Quanto a nós, entregar-nos-emos assiduamente à oração e ao serviço da palavra” (Act 6, 2.4).
O apóstolo não tem de fazer tudo o que é importante e necessário na vida da comunidade. Ele deve, isso sim, dedicar o melhor de si mesmo e do seu tempo ao que é essencial e primordial da sua missão, ou seja, à oração e ao anúncio do Evangelho de Jesus.
Pode-lhe faltar o tempo para outras actividades, mas não para o anúncio do Evangelho. Caso contrário, os homens não podem conhecer Jesus e acreditar nele. E sem fé, os homens não podem salvar-se.
E ainda que tenha muitas coisas para fazer, não pode roubar tempo ao tempo da oração. Com efeito, se o apóstolo não reza e não vive em íntima sintonia com Deus, como pode falar dele aos homens, com verdade e persuasão?

A missão dos leigos.
O serviço da palavra não é monopólio exclusivo dos apóstolos. Os próprios diáconos, entre os quais sobressaem Estevão e Filipe, dedicam-se ao anúncio do Evangelho de Jesus Cf Act 6,8 – 7,60; 8,4-13.26-40).
Muitos outros cristãos, que deixaram Jerusalém devido à perseguição que se seguiu à morte de Estevão, “foram de aldeia em aldeia, anunciando a palavra da Boa Nova” (Act 8,4). Encontramos ainda Áquila e Priscila, um casal de judeus convertidos, a instruir Apolo, na cidade de Éfeso (Act 18,26).
Como dissemos anteriormente, a missão de ensinar é dever de todos os cristãos. De facto, “ a todos os fiéis incumbe o glorioso encargo de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e em toda a terra” (AA 3).
Na realidade, são muitos os fiéis leigos empenhados no ensino, de modo especial, ao nível da catequese da infância e adolescência. Mas também os encontramos empenhados, embora em menor número, nos outros níveis de formação.
Pode-se mesmo afirmar que os fiéis leigos, entre os quais estão os pais cristãos, pelo seu trabalho mais directo e mais constante, são os que mais fazem e melhor garantem a transmissão e a educação da fé. O seu papel é, pois, abrangente e insubstituível.

A missão de santificar, que corresponde à missão de Cristo Sacerdote.
Como sumo e eterno sacerdote, único mediador entre Deus e os homens, Jesus entregou-se a si mesmo para redenção de todos (cf 1Tim 2,5-6).
Na verdade, no altar da cruz, como sacerdote que oferece e, ao mesmo tempo, como vítima que é oferecida ao Pai, Jesus realiza a salvação, redime e santifica o homem, dando-lhe pleno acesso à vida de Deus.
A igreja continua a missão sacerdotal ( missão de santificar) de Jesus mediante os sacramentos e a oração. Com efeito, “a Igreja desempenha o múnus de santificar de modo peculiar pela sagrada liturgia, que pode considerar-se como o exercício do múnus sacerdotal de Jesus Cristo, na qual por meio de sinais sensíveis se significa e, segundo o modo próprio de cada um, se opera a santificação dos homens, e pelo Corpo místico de Jesus Cristo, Cabeça e membros, se exerce o culto público integral de Deus” (CDC 834 §1).


Sacerdócio comum e sacerdócio ministerial
Pelo baptismo, todos os cristãos participam da missão sacerdotal
de Cristo. “Cristo Nosso Senhor... fez do novo povo de Deus um reino sacerdotal para seu Deus e Pai” (LG 10). Este é o chamado sacerdócio comum dos fiéis, porque todos os cristãos, enquanto incorporados em Cristo pelo baptismo, são realmente sacerdotes.
Depois, temos o sacerdócio ministerial dos presbíteros. Estes “são consagrados por Deus, por meio do ministério dos Bispos, para que, feitos de modo especial participantes do sacerdócio de Cristo, sejam na celebração sagrada ministros d’Aquele que na Liturgia exerce perenemente o seu ofício sacerdotal em nosso favor” (PO 5).
O sacerdócio comum não dispensa o sacerdócio ministerial. Por sua vez, o sacerdócio ministerial não elimina o sacerdócio comum dos fiéis. “Ambos participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo” (LG 10). E, enquanto “se ordenam mutuamente um para o outro”, realizam efectiva e eficazmente a missão de santificar no seio da Igreja.

A missão do sacerdote
Os sacerdotes, ao realizarem a missão que lhes é própria, “ introduzem os homens no Povo de Deus pelo baptismo; pelo sacramento da penitência, reconciliam os pecadores com Deus e com a Igreja; com o óleo dos enfermos, aliviam os doentes; sobretudo com a celebração da missa, oferecem sacramentalmente o sacrifício de Cristo” (PO 5).

A missão dos leigos
Quanto aos fiéis leigos, estes exercem o seu sacerdócio “na recepção dos sacramentos, na oração e acção de graças, no testemunho de santidade de vida” (LG 10).
Os leigos não são meros receptores dos sacramentos, mas participantes e agentes dos mesmos. No caso concreto da Eucaristia, torna-se bem evidente que os fiéis são também sujeitos celebrantes.
Assim o revelam as palavras com que o sacerdote convida os fiéis ao acto penitencial: “...para celebrarmos dignamente os santos mistérios...”. E também o convite que o sacerdote faz após a apresentação dos dons : “Orai, irmãos, para que o meu e o vosso sacrifício seja aceite por Deus Pai..”.
Com o sacerdote, os fiéis “oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela” (LG 11). Os fiéis exercem, pois, um verdadeiro sacerdócio.
Além disso, os fiéis realizam a sua missão de santificar nas celebrações litúrgicas, exercendo os ministérios que lhes correspondem. De facto, são diversos os ministérios que os fiéis podem e devem exercer na Sagrada Liturgia. Entre outros: o ministério de Leitor, de Acólito, de cantor, Comentador. Podem ainda distribuir a sagrada Comunhão ou presidir às orações litúrgicas ( Cf CDC 230).
Há ainda outras funções que, em determinadas circunstâncias, podem também ser exercidas por leigos.

a) “Assistir a matrimónios”.
A Igreja pode “delegar leigos para assistirem a matrimónios” (CDC 1112 §1). E isto já acontece em diversas partes do mundo católico.
O matrimónio é um pacto (compromisso) pelo qual o homem e a mulher, movidos pelo amor e de livre vontade, “se entregam e recebem mutuamente”, a fim de constituírem uma comunidade de vida para sempre (cf CDC 1057).
Para os cristãos, o próprio pacto matrimonial, quando celebrado validamente, é sacramento - o sacramento do matrimónio (cf CDC 1055).
Ora, se o sacramento do matrimónio resulta do próprio consentimento dos noivos, segue-se, com toda a lógica e clarividência, que os ministros do sacramento são os noivos e não o sacerdote. Esta é a verdade que importa sublinhar.
O sacerdote, quando presente, é apenas uma testemunha qualificada do compromisso que os nubentes assumem e manifestam diante da comunidade cristã. A testemunha qualificada, à qual se juntam mais duas testemunhas comuns, é necessária para dar fé do acto, para que o mesmo possa ser reconhecido pela Igreja e pelo Estado.
A partir do que fica dito, é fácil concluir e compreender que esta testemunha qualificada pode ser um leigo, desde que legitimamente mandatado pela autoridade competente. Esta escolherá certamente “um leigo idóneo, capaz de instruir os nubentes e apto para realizar devidamente a liturgia matrimonial” (CDC 1112 §2).
Nestas condições, o leigo pede e recebe o consentimento dos esposos em nome da Igreja, seguindo o ritual da “celebração do matrimónio na presença de um assistente leigo”.
E, para descanso se todos, o casamento é tão válido quando celebrado na presença de um leigo como quando celebrado na presença de um sacerdote ou diácono.

b) Presidir às Exéquias fúnebres.
“Nas Exéquias, a Igreja pede que os seus filhos, incorporados pelo baptismo em Cristo morto e ressuscitado, com Ele passem da morte à vida e, devidamente purificados na alma, sejam associados aos santos e eleitos no Céu, enquanto o corpo aguarda a bem-aventurada esperança da vinda de Cristo e a ressurreição dos mortos” (PRE 1).
Por outras palavras, nas exéquias “a igreja implora o auxílio espiritual para os defuntos e honra os seus corpos, e, ao mesmo tempo, leva aos vivos a consolação da esperança” (CDC 1176 §2).
Os Preliminares do Ritual prevêem o caso das exéquias serem presididas por um leigo. “Se a necessidade pastoral o exigir, a Conferência Episcopal com licença da Sé Apostólica pode até confiar essa missão a um leigo” (PRE 20).
Essa licença já existe para Portugal. Assim, as exéquias fúnebres, que não são um sacramento mas apenas um sacramental, podem ser realizadas por um leigo. Este, de preferência, deve ser instituído no Ministério Extraordinário das Exéquias.
A Igreja ensina e defende que a Eucaristia é o mais importante e eficaz acto de sufrágio pelos defuntos. Ora, o leigo não pode celebrar a Eucaristia, poderão argumentar algumas pessoas. É verdade, mas isso não é, de modo algum, um impedimento.
Também acontece, e não raras vezes, que o próprio sacerdote que preside ao funeral não pode, nesse dia ou nessa hora, celebrar a Eucaristia, em razão de outros compromissos anteriores ou prioritários.
O facto de, nessas circunstâncias, não se poder unir a celebração da Eucaristia à celebração das Exéquias, não impede que a Eucaristia seja celebrada noutro momento ou mesmo noutro dia.
Também pode acontecer que o sacerdote celebre a Eucaristia e o leigo realize as outras cerimónias fúnebres, como a oração no lugar onde se faz o velório, o cortejo e a oração no cemitério. E esta oração, feita em nome da comunidade e em comunhão com a Igreja, é seguramente agradável a Deus e proveitosa para todos.

c) Presidir à “Celebração do Domingo na ausência do presbítero”.
Nos domingos em que não é possível a presença do sacerdote e os cristãos não podem deslocar-se a outra comunidade, a Igreja, consciente da necessidade, do dever e do direito dos fiéis, propõe-lhes uma outra forma de celebrar o dia do Senhor.
Trata-se de uma celebração em que é proclamada a palavra de Deus (as leituras do respectivo domingo) e é distribuída a Sagrada comunhão (o que coloca os fiéis em relação directa com a Eucaristia e com o pároco). Além disso, os fiéis, reunidos como comunidade, professam a sua fé e rezam em comunhão com toda a Igreja.
Esta “celebração do Domingo na ausência do presbítero”, como a própria expressão “ausência do presbítero” deixa antever, é presidida por um leigo. Atendendo à estrutura da celebração, não admira que assim seja.
Na verdade, e como referimos mais acima, os leigos podem ser instituídos no ministério de Leitor e proclamar a palavra de Deus; como ministros extraordinários, podem distribuir a Sagrada Comunhão; e podem presidir à oração da comunidade.
Na maior parte dos casos, são os ministros extraordinários da Comunhão que presidem a estas celebrações do domingo. Mas existem já leigos preparados e instituídos especificamente para este serviço.
Os cristãos, que estão impossibilitados de participar na Eucaristia mas têm realmente uma fé viva, não deixam de sentir a necessidade de celebrar o dia do Senhor e, consequentemente, o dever de participar nestas celebrações do domingo.
É claro que este dever não é entendido e aceite, se apenas for visto à luz da lei canónica. Ele deve ser visto e entendido, muito mais, à luz da fé em Cristo e da pertença à Igreja.
Os cristãos, quando acreditam de verdade, mesmo sem a obrigação da lei, não deixam de viver e celebrar o dia do Senhor na forma possível. De facto, a celebração do Domingo, mais e antes que uma exigência da lei, é uma exigência e uma necessidade da fé.
Convém também dizer e esclarecer que este modo de celebrar o domingo deve constituir uma situação transitória. Só se justifica, por um lado, quando não é possível, naquela comunidade e naquele domingo, haver a celebração da Eucaristia. E, por outro, quando e para aquelas pessoas que não podem deslocar-se a outra comunidade.
Com efeito, o Domingo, o primeiro dia da semana, é o dia da ressurreição de Jesus e, por sua vez, a Eucaristia é o memorial do seu mistério pascal. Por conseguinte, o modo privilegiado de celebrar o dia do Senhor é a Eucaristia.
Para superar esta situação em que nos encontramos, e é uma obrigação de todos trabalhar nesse sentido, não basta pedir e esperar que haja mais vocações sacerdotais. Requer-se uma nova reorganização das comunidades cristãs e uma maior mobilidade por parte dos cristãos. Destes aspectos, voltaremos a falar mais adiante.

A missão de servir, que corresponde à missão de Cristo Pastor.
Como Profeta, Jesus anuncia a Boa Nova da salvação. Como Sacerdote, pagando com o preço da sua vida, Jesus realiza a salvação da humanidade. Como Pastor, Jesus apascenta e conduz todos os homens, para que a salvação aconteça na vida de cada um.
A solicitude pastoral de Jesus estende-se a todos os homens e aos homens de todos os tempos. Jesus quer integrar todos os homens num único rebanho, o novo Povo de Deus.
Embora se preocupe e cuide de todos, Jesus presta uma atenção especial aos pecadores, aos pobres, aos doentes, aos mais desprotegidos e abandonados. Jesus quer mudar realmente a sorte dos homens, restituindo-lhes a sua dignidade e levando-os a viver de acordo com a lei de Deus.
Na paróquia, a missão de servir consiste em organizar, orientar, gerir e garantir a vida da comunidade segundo o Evangelho de Jesus.
Passa, pois, pela programação e orientação da acção pastoral da paróquia. Esta tarefa cabe ao Conselho Pastoral Paroquial. Depois, passa pela administração dos bens da paróquia. Esta é competência do Conselho Económico Paroquial.
No âmbito da missão de servir, especial destaque merece o atendimento dos diferentes necessitados da comunidade. Entre estes emergem os doentes, os pobres, os idosos, as pessoas que vivem só, aqueles que são vítimas de algum tipo de exclusão.
Em função das necessidades e dos necessitados, existem ou devem organizar-se os diversos serviços sócio- caritativos.

A missão do sacerdote
Os sacerdotes exercem nas respectivas paróquias, em nome do Bispo e “com a autoridade que lhes toca, a missão de Cristo cabeça e pastor” (PO 6).
Eles são os principais responsáveis pelo serviço da caridade. A eles pertence velar, para que na paróquia se concretize a missão de Cristo pastor.

A missão dos leigos
Por sua vez, os leigos têm aqui um vasto campo de acção. Por um lado, têm um lugar próprio no Conselho Pastoral e no Conselho Económico. Por outro lado, empenham-se, mais do que ninguém, nos diversos serviços sócio-caritativos.
A Igreja recomenda vivamente: “os leigos tenham em grande apreço e ajudem quanto possam as obras caritativas e as iniciativas de assistência social... que levam auxílio eficaz aos indivíduos e aos povos necessitados” (AA 8).
Em muitas ocasiões, interpelados por necessidades pontuais, os cristãos cumprem o dever da caridade de um modo espontâneo, discreto e individual. Outras vezes, cumprem esse dever participando nos serviços existentes na paróquia com essa finalidade (o atendimento dos pobres, visita aos doentes...).
Isto implica saber e estar disposto a partilhar, para além dos bens, a vida e o tempo. Hoje, nos nossos meios, ainda há muita gente que precisa de ajuda material. Mas há muitas outras pessoas que precisam mais do nosso tempo, da nossa vida e do nosso coração.
O amor é o sinal distintivos dos discípulos de Jesus. “Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). Por conseguinte, o serviço da caridade será o sinal distintivo de uma paróquia. Ele, ainda mais do que a participação no culto, atesta em favor da autenticidade da fé da comunidade cristã.
O compromisso dos leigos não se esgota neste nível da caridade. A missão dos leigos é a de levar a luz da fé e a força do amor de Deus ao mundo da família, do trabalho, da escola, da política, da economia, do lazer. O grande serviço da caridade reside precisamente nisto: levar os valores do Reino de Deus a todos os âmbitos da sociedade humana, para que esta seja transformada por eles.
Ninguém melhor do que os leigos, em razão da sua inserção no mundo, pode realizar esta tarefa.

(Continua)

21 abril, 2007

Domingo do Bom Pastor - Domingo das Vocações

A Jornada Eucarística coincide com o Domingo do Bom Pastor – o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Na mensagem para este dia, o Santo padre escreve: “O Dia mundial de Oração pelas Vocações é uma bela ocasião para vos colocar diante da importância das vocações para a vida e missão da Igreja e para intensificarmos as nossas orações para o seu crescimento em número e em qualidade”.

Deus quer precisar de homens e de mulheres que, na continuidade da missão de Jesus, colaborem com Ele na obra de salvação da humanidade. Na verdade, Deus pede a algumas pessoas (a jovens e a menos jovens) que se consagrem inteiramente ao serviço do Reino.
Qual a solucao para falta de vocacoes sacerdotais?
Maior empenho dos padres na promocao vocacional
Mais empenho das familias e das comunidades cristas
A alegria e o entusiasmo que os padres manifestam
Padres segundo o coracao de Deus e nao segundo a vontade da Igreja
A vivencia em comunidade: uma proposta e uma aposta mais generalizada
O celibato opcional
A reformulacao dos seminarios
  
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Vamos rezar para que o apelo e a proposta de Deus encontrem eco e as pessoas sejam generosas na resposta que dão. Além disso, cada um de nós deve também descobrir o que Deus quer da sua vida. Todos temos uma missão a cumprir e a nossa realização e felicidade dependem da fidelidade a essa missão.


PROGRAMA da VIII JORNADA EUCARISTICA
  • 15.30h – concentração no Mercado municipal e ensaio
  • 16.00h – Eucaristia, presidida pelo Senhor Bispo
    - Procissão do Santíssimo

VIII Jornada Eucarística Arciprestal (29 de Abril de 2007)

A Eucaristia – o Sacramento da Caridade

O Santo Padre, na recente Exortação Apostólica que escreveu, apresenta a Eucaristia como “o Sacramento da Caridade”. Por um lado e em primeiro lugar, a Eucaristia é o sacramento do amor de Deus pelos homens. Por outro lado e como consequência, a Eucaristia impele os homens a amar o seu semelhante, correspondendo assim ao amor de Deus.
O Papa Bento XVI começa com estas palavras: “a santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo fez de si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada ser humano”. Na oferta que Jesus faz da sua vida, o amor de Deus é levado até ao extremo. Deste modo, o amor de Deus vence o pecado e salva a humanidade inteira.
A Eucaristia, que Jesus instituiu durante a última Ceia, é o memorial da sua paixão, morte e ressurreição. Assim, todas as vezes que se celebra a Eucaristia é actualizado, no hoje da vida dos homens, o mistério da salvação. Em cada celebração da Eucaristia, até ao fim da história, renova-se a Páscoa de Jesus, ou seja, Jesus continua a oferecer a sua vida por todos e a todos se oferece como o Pão da vida eterna.
Na celebração da Eucaristia, o cristão encontra-se com o Senhor ressuscitado, Aquele que venceu o pecado e a morte do homem, dando assim início a um mundo novo e a uma nova humanidade.
Por sua vez, o cristão, na medida em que o é de verdade, é chamado a colaborar com Cristo na construção do mundo novo – aquele mundo que Deus, movido pelo amor e em vista da felicidade do homem, quer estabelecer na terra. Essa é uma exigência e uma obrigação que decorrem da própria participação na Eucaristia. A Eucaristia leva necessariamente ao compro-misso de vida!
O Cristão colabora com Cristo vivendo o mandamento do amor ao próximo; vivendo segundo os valores humanos, morais e espirituais do Evangelho; investindo as suas capacidades e talentos ao serviço do desenvolvimento justo e harmonioso da sociedade; indo ao encontro das necessidades dos homens, sobretudo dos mais esquecidos, partilhando com eles o que somos, a nossa vida, o nosso tempo, os nossos afectos e os nossos bens; vivendo e promovendo a unidade e a comunhão entre todos os homens; empenhando-se na edificação da paz.

A Jornada Eucarística, que este ano se realiza no dia 29 de Abril, é essencialmente o encontro dos cristãos de todas as paróquias do Arciprestado de Celorico da Beira em torno da Eucaristia.
Com esta celebração, pretende-se, por um lado, evidenciar a importância fundamental da Eucaristia na vida dos cristãos, e, por outro lado, manifestar e promover a unidade entre todas as comunidades cristãs.
Quem acredita no Senhor ressuscitado (a ressurreição de Cristo é o fundamento último da nossa fé) sente uma necessidade íntima e intensa de se encontrar com Ele, participando na Euca-ristia dominical.
Na verdade, graças a Eucaristia, nós podemos fazer, no hoje da nossa vida e da vida da nossa comunidade, a experiência da Páscoa. É o mesmo Jesus que nós podemos encontrar e acolher na nossa vida. É uma pena não aproveitarmos esta extraordinária e maravilhosa oportunidade!
Sendo assim, quem acredita efectivamente no Senhor da vida, olha e considera a participação na Eucaristia não como uma obrigação imposta de fora, mas como uma necessidade sentida por dentro. Esse até está disposto a sacrificar-se e a deslocar-se a outros lugares e comunidades para celebrar o Dia do senhor, e fá-lo de bom grado e com alegria!

Como dissemos, a Jornada Eucarística ajuda-nos a viver e a testemunhar a comunhão que deve existir entre os cristãos e as diferentes comunidades cristãs que constituem o nosso arciprestado. A Eucaristia ajuda-nos a construir essa unidade e comu-nhão, pois é “o Sacramento da Caridade”.
Gostaríamos que esta mesma unidade fosse também vivida ao nível das famílias. Nesse sentido, propomos que, na celebração da Jornada Eucarística deste ano, as famílias se apresentem como tal, ou seja, os pais, filhos e os familiares mais próximos devem ficar juntos durante a celebração. É importante viver a Eucaristia como família e compreender que esta faz parte de uma família mais alargada - a Igreja de Cristo.

Exortamos todos os cristãos (crianças, jovens e adultos) a participarem, com entusiasmo e com alegria, nesta celebração. Disponde o vosso coração e o vosso tempo. Deixai que Deus vos toque e avivai a fé que ainda existe em vós.

16 abril, 2007

Menos Padres para as mesmas Paróquias (O novo livro do Pe. Martins)

Menos Padres...
Um dos problemas que mais preocupa e afecta a Igreja é, sem dúvida alguma, a progressiva diminuição de sacerdotes.
Em arciprestados onde, há algumas décadas, trabalhavam dez ou mais sacerdotes, hoje são apenas três ou quatro. Como resultado, são muitos os sacerdotes que têm a seu cuidado seis ou mais paróquias. E as consequências que daí derivam para a acção pastoral e para a vida das comunidades são necessariamente muitas.
No entanto, do simples facto de serem menos não se pode concluir, sem mais, que os sacerdotes sejam poucos.
Não será que, em parte, os sacerdotes são poucos, porque ainda continuam a fazer muitas coisas que podem e devem ser feitas por leigos? Não estamos a falar de tarefas e responsabilidades que os leigos assumam pelo facto de os sacerdotes serem menos, mas porque são próprias da sua vocação laical!
Não será que os sacerdotes são poucos, porque queremos manter o número e o tipo de paróquias que temos?
Na realidade, temos paróquias com menos de cem habitantes! Muitas outras não ultrapassam as duas ou três centenas. E muitas dessas pessoas, embora baptizadas, não se encontram minimamente inseridas na vida da comunidade cristã, tendo com ela apenas uma relação ocasional (o casamento, o baptismo dos filhos, o funeral de algum parente ou amigo).
Depois, existem paróquias que se encontram muito próximas umas das outras ( 1,2 ou 3 Km). Porém, apesar de geograficamente vizinhas, estão muito distantes a nível eclesial. Constituem mundos à parte, como se não fizessem parte da mesma Igreja, da mesma e única família de Deus!
É claro que para manter esta situação os padres são poucos. Mas também é claro que esta situação não se deve manter!
A fé e a comunhão eclesial exigem que se empreenda uma nova reorganização das comunidades cristãs, se implemente um novo modelo de acção pastoral e se fomente um novo modo de celebrar e viver a fé.
Então, os padres já não serão tão poucos como isso!

... e paróquias a mais.
A exagerada criação de paróquias acontece em tempos de abundância de clero. Nesses tempos, e tempos houve em que os padres eram em demasia, tornava-se necessário garantir a todos um lugar (um ofício) bem como o indispensável sustento.
Assim, quando uma comunidade (ou o conjunto de pequenas comunidades) podia prover ao sustento de um sacerdote, era constituída em paróquia. E a excessiva abundância de clero permitiu e explica que até muitas famílias ricas, que tinham uma capela privada, tivessem também o seu próprio capelão!
Na paróquia, o sacerdote fazia tudo, e tinha tempo para fazer tudo, quer no que se refere à sua administração quer no que diz respeito à vida religiosa da mesma.
Neste tipo de paróquia, os leigos viviam completamente alheados da sua vocação e missão na Igreja e no mundo. Limitavam-se a assistir às celebrações religiosas e a dar o seu contributo económico para o sustento do culto e do clero.
De um modo geral, os cristãos não tinham uma fé esclarecida pela palavra de Deus. A Bíblia não estava ao alcance dos leigos. Não havia lugar para uma participação activa e consciente na liturgia. O sacerdote era o único protagonista e os leigos meros espectadores! E as implicações sociais da fé não eram tidas na devida conta.
Como tudo se passava no pequeno e fechado mundo da sua paróquia, os horizontes de pertença à Igreja eram muito restritos. Com muita dificuldade, os cristãos conseguiam ver e sentir para além da torre da igreja e das fronteiras da paróquia.
Ainda hoje, muitos cristãos têm dificuldade em compreender e viver a fé à luz da sua pertença à Igreja universal. Sentem-se amarrados aos limites da sua terra. Alguns nem sequer conseguem viver a sua fé no âmbito da comunhão paroquial. Não estão dispostos a encontrar-se com Jesus e com Deus noutros lugares e no seio de outras comunidades. Esses esquecem que a verdadeira fé vence todos os bairrismos e particularismos!

O que entretanto mudou
Felizmente, graças ao Espírito Santo, já muito mudou com o Concílio Vaticano II e a partir dele. Hoje é muito diferente e mais ajustada a visão que temos da Igreja, do ministério sacerdotal e da missão dos leigos.
Já há leigos, em quase todas as paróquias, que assumem alguma responsabilidade e exercem algum ministério. Por sua vez, os povos já compreendem e aceitam melhor que certas funções, até há pouco monopólio dos sacerdotes, sejam desempenhadas pelos leigos.
Todavia, ainda permanecem muitos sinais e efeitos da visão e mentalidade anteriores. De facto, muitos cristãos (entre os quais podemos incluir alguns padres) persistem em querer e exigir que o sacerdote faça também a parte dos leigos. Propositadamente esquecem, porque assim lhes convém, que os baptizados, pelo facto de o serem, participam da tríplice missão da Igreja (ensinar, santificar e servir).

É curioso notar que a diminuição dos sacerdotes se segue ao Concílio Vaticano II. Este dá início ao fim de uma Igreja eminentemente clerical. E uma Igreja menos clerical precisa, como é obvio, de menos padres e aproveita melhor os padres que tem!
Na verdade, à medida que os leigos assumem o papel que lhes cabe dentro da Igreja, os sacerdotes ficam mais disponíveis para aquilo que é específico da sua missão. E, nessa mesma medida, podem estender a sua acção, naquilo que lhes é próprio, a outras comunidades.
Além disso, à medida que se forem libertando os sacerdotes de certas funções burocráticas e administrativas, que não exigem o poder da ordem e que, por isso mesmo, podem ser exercidas pelos leigos, haverá mais sacerdotes disponíveis para o serviço pastoral das comunidades cristãs.
Embora seja preocupante a actual crise de vocações sacerdotais, ela seria muito mais dramática se tivéssemos de a olhar e vencer sem a luz da nova eclesiologia conciliar. Há, pois, nesta situação uma reveladora e providencial coincidência!

Depois, também é curioso notar que o início da diminuição dos sacerdotes coincide com a vulgarização do automóvel. Este facto veio permitir que um mesmo sacerdote se possa ocupar pastoralmente de várias comunidades.
Trata-se de mais uma feliz coincidência! Ou melhor, de um outro facto e sinal da providência de Deus! Na realidade, seria muito mais dramática a falta de clero sem os actuais meios de transporte que possuímos!
É evidente que, com a colaboração dos leigos e a facilidade de deslocação, o sacerdote pode chegar mais longe e a mais comunidades. Todavia, tudo tem um limite.
E há um critério para esse limite. Um critério que nos é dado por Jesus, quando se apresenta na sua missão de Bom Pastor. “Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me” (Jo 10,13). O sacerdote, enquanto pastor que é, deve poder conhecer e amar aqueles que é chamado a servir em nome de Jesus.
Não basta que o sacerdote garanta o culto nas diferentes paróquias. Ele não pode descuidar ou pôr de lado a sua missão de pastor. Porém, tudo isso tem um limite. E na hora de atribuir mais paróquias, o Bispo não pode esquecer, por um lado, as reais exigências da missão do padre e, por outro lado, as suas contingências humanas.

Nos nossos dias, o automóvel vulgarizou-se de tal modo que quase todas as pessoas têm acesso a este meio de transporte. Parece lógico e é de esperar que os cristãos também o usem ao serviço da sua fé.
Os cristãos, quando acreditam de verdade, quando têm consciência da sua pertença à Igreja e quando vivem a comunhão eclesial, são capazes de se deslocar para participarem na Eucaristia ou para aprofundarem a sua fé noutras terras e com os cristãos de outras comunidades.
A fé, quando é autêntica, e a comunhão eclesial, quando é sentida, levam o cristão a vencer o comodismo e a superar o bairrismo das terras e lugares. Quando os cristãos acreditam de verdade e de verdade procuram a Deus, usam todos os meios que estão ao seu alcance para celebrarem a fé e se encontrarem com Ele.
Num tempo em que se usa o automóvel para tudo, até para ir tomar o café a cem metros de casa, porque é que não se há-de usar também ao serviço da vida cristã? Só o sacerdote é que tem a obrigação de o usar para chegar a todo lado?
Se a tua fé não te põe a caminho e não te abre a outras comunidades, não será porque ainda não acreditas verdadeiramente em Cristo nem professas a verdadeira fé da Igreja?

O decréscimo do número de sacerdotes coincide ainda com a acentuada desertificação do mundo rural, causada pela emigração, pela deslocação para os centros urbanos e pela descida da natalidade.
As paróquias têm efectivamente poucas pessoas e estas são, na sua maioria, idosas. Na realidade, são poucas as crianças e os jovens em idade escolar e de catequese. São poucos os adultos que têm formação suficiente para exercerem algum ministério no seio da comunidade. São poucas as pessoas que participam regularmente na vida da paróquia, muito concretamente na celebração da Eucaristia dominical.
Em paróquias com estas dimensões e com estas características, o sacerdote tem menos que fazer. Com efeito, são menos os grupos de catequese, os baptizados, os casamentos, as confissões, as reuniões de formação... Mas também é verdade que nestas paróquias é particularmente difícil manter um mínimo razoável de vida cristã.
Nas presentes circunstâncias, é legítimo questionar se estas comunidades podem ou não sobreviver como paróquias. E, em caso negativo, que solução poderemos propor?

11 abril, 2007

Há 20 anos a viver em comunidade



"A comunidade mais do que um modelo pré-fabricado que se impõe, é um ideal de vida que se propõe". Pe. Martins

No dia de Páscoa, o Pe. Martins festejou o 25º Aniversário da sua ordenação sacerdotal



No seguimento da missão dos Apóstolos, o sacerdote é chamado a ser testemunha da ressurreição de Cristo entre os seus contemporâneos.
É uma feliz coincidência celebrar os 25 anos da ordenação sacerdotal no dia de Páscoa. Esta evidencia e torna mais clara a prioridade do ministério sacerdotal.

O sacerdote é testemunha do mistério pascal de Jesus, antes de mais, quando o anuncia com convicção e alegria, deixando transparecer na sua voz, no seu rosto e na sua vida, a certeza e clarividência da sua fé (...). Depois, vivendo o seu ministério como quem espera e confia na recompensa de Deus.
O sacerdote, se o é por vocação de Deus, é seguramente um homem feliz.

Oxalá, eu me deixe iluminar e conduzir sempre por Ele, para que ele faça de mim, emtre os homens e a favor dos homens, testemunha da ressurreição de Jesus.

Jovens de Açores vivem a Paixão de Cristo

Depois de muitos ensaios, esforço e preparação da Via-Sacra chegou a Sexta-Feira Santa. Surgiu alguma desilusão, chovia e não era possível realizar a Via-Sacra encenada pelas ruas de Açores. Depois de alguma indecisão achou-se por bem realizá-la dentro da Igreja.
A Via-Sacra contemplava a meditar ao longo de quinze estações os vários olhares de Jesus, isto é os diversos sentimentos que Jesus exprimiria naquele momento de dor. Em cada estação eram expostos em frases esses olhares de Jesus, enquanto a Marta e a Ana Rita liam os textos correspondentes a cada estação. Não esqueçamos que a encenação pretendia ser muito simples, mas tornou-se bela com a expressividade que as várias personagens bíblicas lhe deram e a dignidade dada pelos próprios jovens.
Os momentos mais expressivos foram dados pelo encontro de Jesus com sua Mãe, a sepultura de Jesus e o momento da Ressurreição. Nesta última estação foi lido o episódio bíblico da Ressurreição, Jesus colocou-se ao centro com uma vela (símbolo da luz) com todas as personagens voltadas para o Senhor, tendo sido distribuído um papel a cada participante com os quinze olhares de Jesus. Este pretendia fazer reflectir cada cristão se está na disponibilidade de se deixar seduzir pelo olhar de Jesus Cristo, não esquecendo que Ele nos continua a fazer o convite: "Vem e Segue-Me".
A terminar foi pedido que toda a comunidade tenha presente nas suas orações os jovens. É difícil trabalhar, mas não é impossível motivar os jovens. Os jovens de Açores estão de parabéns por esta extraordinária expressão de fé!


Gilberto

31 março, 2007

DOMINGO DE RAMOS: “Não praticou nada que mereça a morte”.

Apesar de não ter encontrado “nele nenhum motivo de morte”, ou seja, apesar de plenamente convencido da sua inocência, Pilatos, para contentar os príncipes dos sacerdotes e os chefes do povo e para evitar que estes amotinassem o povo contra ele, condena Jesus à morte.

Aqueles que acusam Jesus bem sabem que O acusam injustamente. E aquele que O condena à morte sabe bem que Jesus está inocente. Eles bem sabem que estão a faltar à verdade e a agir contra a sua própria consciência. Mas para eles vale bem pouco a verdade e a consciência, quando estão em jogo os seus interesses e os seus direitos adquiridos.

Aqueles que pedem a sua morte, fazem-no porque:
• se sentem incomodados com Jesus, com a verdade que Ele anuncia e com o projecto de vida que ele lhes propõe;
• sentem que Jesus põe em causa as suas crenças e tradições religiosas, a sua visão de Deus e do homem, a sua visão do mundo e da sociedade, as suas certezas e seguranças humanas.

Por sua vez, Pilatos condena Jesus:
• para não ser perturbado por aqueles que se sentem ameaçados por Ele;
• para manter o poder e os seus privilégios;
• para não ter que mudar os seus horizontes e perspectivas existenciais;
• para não ter que reconhecer os seus limites e deveres diante dos direitos dos outros, o homem é capaz e chega a matar um inocente.
Neste caso, o inocente não é um homem qualquer. O inocente a quem dão a morte é o Messias, o Filho de Deus.

No entanto, na hora daquela cegueira humana, houve um homem, conhecido como o bom ladrão, que reconheceu e testemunhou em favor da inocência de Jesus: “Ele nada praticou de condenável”. A intuição e a confissão deste homem (sinal da sua conversão e do seu arrependimento) valem-lhe, à última hora, a sua salvação. Na verdade, Jesus garante-lhe: “Hoje estarás comigo no Paraíso”.

O Domingo de Ramos e da Paixão, nos dois episódios que evoca e celebra, revela bem a flagrante contradição do ser humano.

Na sua entrada em Jerusalém, uma multidão ruidosa e entusiasta aclama Jesus como o descendente de David, Aquele que vem em nome do Senhor. Alguns dias mais tarde, também uma multidão ruidosa, manipulada pelos seus chefes religiosos, exige de Pilatos a crucifixão e a morte de Jesus.

Quiseram Jesus, andaram com Ele e estiveram ao seu lado, quando:
• Jesus lhes matou a fome, multiplicando os pães;
• Jesus lhes contava parábolas e proferia discursos que lhes agradavam;
• realizava milagres e obras extraordinárias;
• iludidos, pensaram que Jesus viria libertar o povo de Israel do domínio romano.

Porém, na hora da verdade, na hora em que eles deviam tomar partido pela verdade, na hora em que deviam testemunhar a seu favor, quase todos O abandonaram ou depuseram contra Ele. Nessa hora, a hora decisiva da sua missão, Jesus sentiu, mais do que qualquer outra, a dor da incompreensão e da ingratidão dos homens. Muitos seguiram Jesus e andaram com Ele, mas não chegaram a acreditar nele, não O reconheceram nem O acolheram como Aquele que Deus enviou para os salvar.

E nós, de que lado estamos? Estamos dispostos a aceitar Jesus na sua verdadeira identidade, a aderir à verdade que Ele nos ensina e a abraçar o projecto de vida que Ele nos propõe? Ou também O rejeitamos, condenamos e esquecemos, quando e naquilo que o seu Evangelho nos incomoda, exigindo uma mudança profunda na nossa vida?

• Se não queremos ou não consentimos que Jesus mude a nossa vida, damos a entender que não queremos que Ele nos salve (não queremos Jesus para nos salvar);
• se não aceitamos a verdade de Jesus, quando ela nos dói, é porque ainda não acreditamos verdadeiramente nele;
• se só o seguimos quando nos convém, então não somos seus verdadeiros discípulos. Usamos o seu nome, mas não sentimos que lhe pertencemos.

No entanto, nós pertencemos ao Senhor. Ele adquiriu-nos com o preço do seu sangue, resgatou-nos com o preço da sua vida. E Jesus não deu a sua vida para ficar tudo na mesma. Não há salvação onde e naqueles em que tudo fica na mesma.

A salvação só acontece em nós, se nos deixarmos cativar e seduzir, transformar e renovar, iluminar e conduzir por Jesus, fazendo dele o Caminho e a Verdade da nossa vida. Tudo o resto (poderá não ser simpático dizê-lo nem agradável ouvi-lo) é pura perda de tempo, é tornar inútil a morte de Cristo.

28 março, 2007

Domingo de Ramos



BÊNÇÃO DOS RAMOS e EUCARISTIA
Aldeia Rica - 18.30 h
Açores - 15. 00 h

A minha Semana Santa

Olá amigo! Ponho-me de novo em contacto contigo. Já notaste que me agrada comunicar-me. Terás notado que durante a minha vida terrena eu nunca escrevi nada. É verdade que frequentei a escola, onde aprendi a ler e escrever. Escrevi até muitos pergaminhos sobre textos sagrados.

Mas nada disso se conservou. Durante a minha vida pública gostava de falar e de falar muito, porque já sabes que sou o Verbo, a Palavra do Pai. E os meus discípulos já se encarregaram de escrever parte do que eu disse e fiz, e isso podes encontrá-lo nos Evangelhos. Só uma vez, quando queriam apedrejar uma pobre mulher, surpreendida em adultério, diante da gritaria daquelas pessoas e das perguntas maldosas, inclinei-me e escrevi umas palavras no chão.

Foi apenas um sinal, uma mensagem de amor. Mas logo se apagaram com o pisar das pessoas. Pelos menos parece que ficaram gravadas nos seus corações, pois não fizeram nada contra aquela pobre mulher. Somos muito duros na hora de julgar, e custa-nos muito perdoar.


Hoje desejaria fala-te da MINHA SEMANA SANTA.

Sim, esta semana podemos considerá-la mais minha que as outras, já que vou celebrar com os meus amigos acontecimentos muito importantes da minha vida e de todos os que me seguem. Nesses dias, em quase todos os povos, levam-me para as ruas com uma imensa variedade de imagens. Vou ocupar, infelizmente, o centro de muitos olhares, vou ser o protagonista.

A mesma coisa que aconteceu naquela semana da minha Paixão e Morte. Também fui o centro de muitos olhares. Alguns partilharam comigo certos acontecimentos, não todos. Outros apenas contemplavam-me calados. Outros planiavam o modo de me eliminar. A massa, desconcertada, deixou-se levar pelos de sempre. Realmente foi uma semana de alegrias e de dores profundas. Entrei alegre em Jerusalém, a cidade sagrada, e acompanhava-me uma grande multidão com palmas e ramos de oliveira. Celebrei a Última Ceia com meus Apóstolos num ambiente íntimo, profundo, tenso... Falei muito de amor, de fraternidade, de unidade.

- Ali fiz a minha maior loucura de amor: o milagre da Eucaristia dando aos sacerdotes o poder de consagrar para estar sempre convosco.

- Ali quis dar uma lição concreta de humildade e serviço, lavando os pés aos meus amigos.

-Ali insisti muito que o mandamento principal do cristão, do filho de Deus é o amor...

- E ali provei a dor profunda da traição de um dos meus.


Assim são as coisas humanas. E assim é o respeito que meu Pai e Eu temos pela liberdade dos homens.

Veio aquela dramática oração no Jardim das Oliveiras... E tudo o que tu já sabes. Já podes imaginar a dor moral e física para um Coração que só queria amar o homem e salvá-lo do pecado. E o homem, os homens, não aceitaram os planos de Deus. Nesta semana santa, vamos recordar outra vez todos aqueles acontecimentos, mas desejaria que os recordasses com um sentimento de gratidão à Vontade do Pai. Não se trata de que me exibam em cruzes e cenas comoventes para provocar sentimentalismo.

Desejaria que a Semana Santa servisse para compreender a gravidade do Pecado, o estrago que faz no homem, e o que supõe de ofensa ao Plano de Deus. Foi precisamente o pecado que provocou tudo o que nestes dias vamos recordar e celebrar. Mas, eu dir-te-ia mais, que desejaria que esta semana santa servisse também para compreender como é grande a misericórdia de Deus. O muito que amamos o homem, a nossa imagem.

Sim, grava bem no teu coração: tudo o que eu fiz, isso que se vai recordar tantas vezes pelas ruas e praças nestes dias, foi por ti, e por todos. Pelos que me conhecem e me traem, e pelos que não têm a mínima ideia de quem sou eu. Não me importa. Eu amo-os a todos. Eu quero-os a todos. Não gostaria de servir de espectáculo para que nestes dias se divirtam os que não pensam como eu, os que não se recordam nunca de mim.

Eu te escrevo para te pedir uma coisa: se queres de verdade dar-me uma alegria, ajuda-me a levar a cruz pesada dos pecados e aberrações que hoje se cometem impunemente, e que estão destruindo a pessoa humana.

Dói-me, mas vamos conquistar o coração dos que andae afastados, dos que olham indiferentes, dos que se divertem, dos que riem, dos que negoceiam... Eu quero consolar e agradecer os sentimentos bons daqueles que sabem valorizar o que o Pai, o Filho e o Espírito Santo fazem para servi-los e ajudá-los a serem melhores.

Desejaria que esta Semana Santa fosse de verdade Santa. Vem junto de mim, ao meu lado e vamos percorrer juntos o caminho do Calvário. Depois ver-nos-emos na Ressurreição para juntos nos alegrarmos. Um abraço. Não me abandones.

- O teu amigo JESUS.

27 março, 2007

Domingo de Ramos

O Vaticano II restaurou a ordem dos domingos da quaresma. De facto, na Segunda metade do século VII, o quinto domingo da Quaresma começou a chamar-se primeiro domingo da Paixão ou Domingo de Ramos. O Vaticano II recolocou em vigor o quinto Domingo da Quaresma antes da Páscoa: chama-se agora “Domenica in Palmis de Passione Domini”. Estas modificações na liturgia deste Domingo suscitam um problema antigo. A Antiga tradição romana celebrava antes de tudo a Paixão do Senhor, no Domingo antecedente à Páscoa. Na lógica dos factos ocorridos seria melhor celebrar apenas a entrada do Senhor em Jerusalém, como se fazia na Espanha, na Gália e no Oriente. Em Roma, as comunidades estavam afeiçoadas à celebração do Domingo da Paixão também a entrada de Jesus em Jerusalém.
A reforma do Vaticano II prevê três tipos de celebração da entrada de Jesus em Jerusalém:
a)A primeira forma consiste numa procissão que vem de fora e tem como ponto de partida um lugar de reunião dos fiéis, fora da igreja. A celebração inicia-se com um cântico, por exemplo, Hosana ao filho de Davi.d O celebrante saúda os presentes e convida-os a participar activamente na celebração, dando significado ao que se recorda e se quer actualizar hoje. A proclamação do evangelho conta -nos a entrada de Jesus em Jerusalém e inicia-se, logo a seguir a procissão para dentro da igreja. Ao chegar ao altar, que pode ser incensado, omite-se o rito de introdução e diz-se a oração de colecta. O sacerdote, desde o início da celebração, deve usar paramentos de cor vermelha.
b) A Segunda forma tem como cenário a própria igreja. Há uma entrada solene, os fiéis estão reunidos diante da porta da igreja, levando nas mãos ramos de oliveira ou de palmeira. Benzem-se os ramos, proclama-se o evangelho. Tudo se faz num local apropriado no corpo da igreja e, depois, o celebrante dirige-se à cadeira, onde reza a colecta da missa.
c)A terceira forma é mais simples e consiste num canto de entrada que comemora a entrada de Jesus em Jerusalém. Onde não se puder realizar nem a procissão nem a entrada solene na Igreja, pede-se que se faça uma celebração da palavra que recorde o episódio da vida de Jesus que se quer comemorar.

O acordo do Vaticano II suprimiu a proclamação do relato da Paixão na Terça e na Quarta-feira santas. Mas é proclamado no Domingo de Ramos, conforme um dos relatos dos Sinópticos.

25 março, 2007

21 pessoas de Açores receberam comunitariamente a Santa Unção

A Igreja Católica professa e ensina que a santa Unção dos doentes é um dos sete sacramentos do Novo Testamento, institu­ído por Cristo Nosso Senhor, "insinuado em S. Marcos (Mc 6, 13), recomendado aos fiéis e promulgado por S. Tiago, apóstolo e irmão do Senhor, com estas palavras: Algum de vós está doen­te? Chame os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o confortará, e, se tiver pecados, ser-lhe-ão perdoados (Tg 5, 14-15)".

Há testemunhos da Unção dos doentes já desde os tempos antigos, na Tradição da Igreja, sobretudo na tradição litúrgica, tanto no Oriente quer no Ocidente.

24 março, 2007

Jesus, na sua relação com a mulher adultera, mostra-nos o amor misericordioso do nosso Deus

No domingo passado, Jesus apresentou-nos Deus como um Pai rico em misericórdia, um Deus que, sem qualquer ressentimento, corre ao encontro do pecador arrependido, o acolhe de novo na sua família, alegra-se com o seu regresso e faz uma grande festa para celebrar o reencontro. Um Deus que, apesar das contínuas e graves infidelidades do homem, não desiste de o amar!
Este Deus, assim revelado por Jesus, é o único Deus que existe, o único Deus no qual vale a pena acreditar, o único Deus que convém ao homem. Sim, neste Deus eu posso e devo acreditar. Este Deus é necessário e vantajoso para mim!

Hoje, Jesus mostra e comprova o amor misericordioso de Deus, através da sua atitude em relação à mulher adúltera.
  • Os escribas e os fariseus, invocando a lei de Moisés, pedem e esperam que aquela mulher seja apedrejada até à morte. Presos à interpretação humana da lei de Deus, eles fixam-se apenas na transgressão e no pecado da mulher, sem lhe reconhecerem qualquer direito e sem sentirem por ela qualquer compaixão. Eles pensam, mas erradamente, que a única solução está em cumprir a lei, dando-lhe a morte, como se alguma vez a morte de alguém constituísse a verdadeira solução para algum problema!

    • Jesus sabe que a mulher transgrediu a lei de Deus: “não cometerás adultério”. Trata-se de uma transgressão grave, pois atentou contra a fidelidade e a dignidade do amor e da família. No entanto, Jesus sabe e reconhece que a pessoa vale mais do que a lei. Mesmo a lei de Deus é proposta para proteger e dignificar o homem (ou seja, está ao serviço da pessoa humana, é uma lei ao serviço da vida e não da morte).

    • Por isso mesmo, Jesus parece não dar ouvidos às palavras e às pretensões dos escribas e fariseus. Antes, concentra a sua atenção na mulher e tenta compreender a sua situação. Assim, sem que aprove a sua conduta, Jesus não a humilha nem a condena.

    • Jesus tem plena consciência que veio ao mundo dos homens para curar os que estão doentes, para procurar os que andam perdidos, para perdoar aos pecadores, para salvar e não condenar aquela mulher! Não admira, pois, que Jesus sinta compaixão por ela e lhe manifeste a compaixão de Deus, perdoando-lhe o seu pecado!

    • O perdão de Jesus comporta necessariamente uma exigência: “não tornes a pecar”. O perdão exige uma vida nova, um novo projecto e um novo compromisso de vida. Jesus perdoa para dar uma nova possibilidade à mulher, para que ela possa retomar a vida de cabeça levantada, com esperança e com alegria.

    • Aquela mulher, usada e desprezada pelos homens, sente-se amada e respeitada por Jesus. Aquele encontro e a experiência que fez do amor de Deus mudaram completamente a sua vida.

Graças à atitude de Jesus, descobriu que afinal, contrariamente ao que ensinavam e defendiam os fariseus e os escribas, o nosso Deus é um Deus

  • compreensivo e amigo dos homens;
  • que tem no amor e no perdão a solução para os pecados dos homens;
  • que levanta do chão e abre as portas do futuro;
  • que reaviva e torna consistentes os sonhos e os ideais;
  • que efectivamente liberta e salva;
  • que respeita, serve e convém ao homem!

18 março, 2007

13 pessoas de Aldeia Rica receberam a Santa Unção

O jovem filho pensa e convence-se de que será mais livre e mais feliz vivendo longe do pai e do irmão. Quer assumir sozinho a sua vida, sem ser limitado pelo pai ou condicionado pelo irmão.
Ele quer viver sem depender do pai, sem princípios e valores morais, sem ter que ouvir a voz da verdade e do bem que o pai representa. Também quer viver sem o irmão, isto é, sem ter de reconhecer os direitos do irmão e, consequentemente, assumir os respectivos deveres para com ele.

A tentação do homem que quer viver sem depender de Deus, isto é, sem verdade, sem honestidade e sem coerência; e quer viver sem estar condicionado pelos direitos dos outros. Não quer aceitar e amar Deus como Pai nem está disposto a aceitar e a respeitar os outros como irmãos.

O jovem acaba por encontrar precisamente o contrário do que esperava. A riqueza usada sem critérios leva o homem à miséria (começou a passar privações); a liberdade vivida sem princípios morais leva à perda da própria liberdade (entrou ao serviço de um habitante da região); o jovem perde os bens, perde a liberdade e perde a dignidade (simbolizada no guardar os porcos); cai na mais degradante miséria (nem sequer pode comer das alfarrobas que os porcos comiam). A liberdade sem Deus e sem os irmãos, uma liberdade sem princípios e valores morais, uma liberdade sem verdade e sem amor, conduz à pior forma de escravidão (o homem é vítima de si mesmo, é o único responsável pela sua escravidão).

O pecado não afecta apenas o próprio. Ele afecta tamém o pai (Deus). O Pai que, com tristeza e dor, vê partir o filho, e, com angústia e inquietação, espera o seu regresso. O pecado afecta ainda o irmão e as relações entre os irmãos. O irmão mais velho não compreende nem aceita o comportamento do irmão mais novo e alteram-se pró-fundamente as relações entre eles. São as implicações sociais do pecado do homem.

Caindo em si. O jovem acorda para a realidade e dá-se conta de que se deixou enganar (ou melhor, se enganou a si mesmo). Descobre as contradições das suas opções e, ao mesmo tempo, descobre as vantagens de viver em comunhão com o pai. A bondade do pai inspira-o e motiva-o a regressar para ele, disposto a recomeçar uma vida nova. Só com verdade e com amor, só vivendo com o Pai e com os irmãos o homem pode ser livre e feliz.
A importância e a necessidade de o homem fechar os olhos e de olhar para dentro a fim de se examinar a si mesmo. Com os olhos abertos, o homem só vê os outros. Com os olhos fechados, olhando para dentro, homem vê-se e conhece-se a si mesmo.
  • Ignorante é o homem que não se conhece a si mesmo;
  • covarde é aquele que foge de si e não se assume como é;
  • medíocre é aquele que se contenta com o que é e não deseja ser melhor;
  • cego é o homem que não tem ideais;
  • morto-vivo é aquele que permanece caído só para não ter o trabalho de se levantar do chão.
O Pai, porque ama o filho e nunca o deixou de amar, aguarda o seu regresso sem rancor; quando o filho volta corre ao seu encontro sem esperar, muito menos exigir, o pedido de desculpas; quando chega junto dele, o pai abraço-o e acolhe-o como filho e não como um simples trabalhador.

O milagre do amor de Deus consiste em restituir a dignidade de filho ao homem pecador, mesmo ao maior pecador. Deus trata sempre os homens como filhos e nunca como servos, muito menos como escravos.
Quem não se sentirá fascinado por um Deus assim?
Quem não concordará que este é o único Deus que convém ao homem?

A contradição daqueles que pensam e se convencem de que sem Deus e sem a lei de Deus podem ser mais livres e mais felizes. Aqueles que procuram a sua felicidade na droga, alcool e numa vida desregrada. A realidade mostra como eles se enganam e somos todos a sofrer as suas consequências.
E a contradição daqueles que invocam o nome de Deus para fomentar e justificar o ódio, a destruição e a morte, como acontece no terrorismo islâmico. Como podem matar em nome de Deus, quando Deus é o Senhor da vida e ordena ao homem: ”Não matarás”? Como podem incentivar ao ódio em nome de Deus, quando esse mesmo Deus propõe aos homens: “Amai os vossos inimigos”?

O homem todo o homem precisa de Deus. Quando Deus é excluído da vida dos indivíduos e da vida da sociedade, ou quando se servem de Deus para oprimir e explorar os homens, o mundo envereda pelo caminho da destruição e da morte.
Porém, Deus, o Deus verdadeiro, o único Deus que existe, é o Deus do amor e o Deus da liberdade, é o Deus que está sempre do lado da vida, o Deus que ama os homens como filhos, que respeita sempre a sua liberdade e que intervém sempre em favor da sua dignidade.
É neste Deus que nós acreditamos, pois Creio em um só Deus….

14 março, 2007

Horários


Dia 16 - CONFISSÕES:
- Aldeia Rica - 17.30 h
- AÇORES - 17.30 h
Dia 18 - Eucaristia - A. RICA - 9.30 h
- Cel. Palavra - Açores - 11.00 h

13 março, 2007

Ninguém te ama como eu



Martin Valverde - Nadie te ama como yo

09 março, 2007

A confissão

Sabemos que há por parte de muitos cristãos uma grande dificuldade de se reconhecer pecador. Pelo menos perante os outros. O que é certo é que Jesus falou muitas vezes na necessidade dos seus ouvintes se arrependerem e deixarem o pecado. Se não – ouvimos no Evangelho do próximo Domingo – morrereis todos de maneira semelhante, isto é, em pecado.


S. João Evangelista escreve na sua primeira carta, que faz parte do Novo Testamento, o seguinte:
"Se dissermos que não temos pecados, somos mentirosos e enganamo-nos a nós mesmos. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar e purificar de toda a iniquidade".

Cristo exerceu, durante a Sua vida pública, o poder de perdoar os pecados e deu esse poder aos Apóstolos: "Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados, a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos".

No entanto, há hoje por parte de muitos cristãos uma rejeição da confissão.
  • Ora a confissão dos pecados (acusação), mesmo do ponto de vista simplesmente humano, liberta-nos e facilita nossa reconciliação com os outros.
  • Pela acusação, o homem encara de frente os pecados dos quais se tornou culpado: assume a responsabilidade deles e, assim, abre-se de novo a Deus e à comunhão da Igreja, a fim de tornar possível um futuro novo.
  • A declaração dos pecados ao sacerdote constitui uma parte essencial do sacramento da penitência: "os penitentes devem, na confissão, enumerar todos os pecados mortais de que têm consciência depois de examinar-se seriamente, mesmo que esses pecados sejam muito secretos e tenham sido cometidos somente contra os dois últimos preceitos do decálogo, pois às vezes esses pecados ferem gravemente a alma e são mais prejudiciais do que os outros que foram cometidos à vista e conhecimento de todos". (Catecismo nº. 1455, 1456).

O Novo Testamento diz-nos que, quando João Baptista estava a baptizar no rio Jordão, vinham pessoas de todos os lados e de todas as classes e confessavam publicamente os seus pecados.

Nos termos da doutrina da Igreja "a confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja" (D. C. – cânone 961 § 1)

04 março, 2007

Finalmente, foi nomeada a NOVA COMISSÃO DA FÁBRICA DA IGREJA DE AÇORES

PROVISÃO

D. Manuel da Rocha Felício, Bispo da Guarda
Tendo o Rev.do Pároco da Paróquia de Açores, pedido a nomeação da Comissão da Fábrica da Igreja Paroquial (Conselho Económico Paroquial) composto pelos seguintes membros:

Pe. Carlos Manuel Gomes Helena, pároco e presidente; António Manuel Rodrigues o dos Santos; Esperança dos Santos Andrade Paulos; Horácio da Silva Santos; José Miguel Rodrigues dos Santos e Maria do Nascimento Andrade Luis, vogais
É nomeada, de harmonia com a legislação da Igreja, a Comissão proposta.
Competem exclusivamente a esta a administração dos bens da paróquia de Açores, e os actos inerentes à mesma administração. Pertence-lhe também velar pela côngrua sustentação do pároco, de acordo com as orientações da Igreja e as determinações diocesanas.

Em conformidade com o actual Código de Direito Canónico (cân.351), o Fundo Paroquial assume a responsabilidade desta sustentação. O mesmo Fundo Paroquial é, em grande parte, alimentado pelo contributo paroquial, pelo qual os católicos contribuem, anualmente, como equivalente a um dia de salário.
Espera-se que os leigos agora nomeados para esta importante missão, "dotados de probidade e de zelo pelo bem da Igreja e pelos progressos do apostolado", tendo em conta a função pastoral dos bens temporais da Igreja, procurem a recta administração dos mesmos, de tal modo que eles sejam "instrumento ao serviço da evangelização e da catequese". (Directório do Ministério Pastoral dos Bispos, n° 190 d).
Igualmente se espera que, em perfeita harmonia com o pároco, todos os paroquianos de Açores, na medida das suas possibilidades, " participem na sustentação da Igreja, como membros activos e responsáveis; assim todos sentirão como suas as obras e todas as actividades beneficentes da Igreja e sentir-se-ão alegres por colaborarem na boa administração dos seus bens" (D.M.P.B., n° 192).
Esta nomeação, é válida por três anos.

"Olha para o Céu...", porque "a nossa pátria está nos céus".

O cristão vive na terra, mas o seu olhar dirige-se para o Céu. O cristão levanta os seus olhos para os céus para contemplar o próprio Deus, pois, “os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos”.
O cristão olha para o alto porque sabe e sente que não é apenas pó da terra, mas é também, e acima de tudo, sopro divino, isto é, a sua vida é participação da vida de Deus.
O cristão olha para o Céu, porque pressente e acredita que a sua vida se prolonga no mais além, ou seja, não se esgota no existir aqui na terra. Ele sabe que existe e o espera uma pátria nos Céus.
Deus criou a terra para o homem, mas criou o homem para o Céu. Sim, Deus criou o mundo a pensar no homem, e, ao pensar no homem, Deus criou o Céu.
O mundo criado por Deus, embora seja imenso e de uma beleza extraordinária, ele é apenas uma morada provi-sória para o homem. É, sem dúvida alguma, uma morada importante e necessária, onde o homem tem uma missão a cumprir e uma caminhada existencial a realizar. No entanto, Deus sonhou, como morada definitiva do homem, um mundo melhor e mais grandioso – a pátria que está nos Céus.

Olhar para o Alto, escutar e contemplar os Céus, sonhar o futuro está em conformidade com o ser e a vocação do homem. Porém, o homem pode ceder à tentação de fixar só o seu olhar e a sua atenção na terra e nas realidades materiais, de debruçar-se sobre si mesmo e fechar-se no seu egoísmo, assumindo-se como o senhor absoluto da sua vida e fazendo depender tudo e todos de si, sem que ele tenha de depender ou de prestar contas a alguém. Assim nasce o pecado.

Hoje, S. Paulo censura aqueles que “ têm por deus o ventre, orgulham-se da sua vergonha e só apreciam as coisas terrenas”. Quando o homem perde o norte das alturas, quando o homem asfixia a sua sensibilidade espiritual, quando o homem é incapaz de ver para além do aqui e do agora, o homem passa a ter como único objectivo possuir, comer e gozar a vida, sem reconhecer quaisquer limites, sem respeitar nada nem ninguém. E a perversidade do homem pode chegar ao absurdo de se orgulhar do mal que faz. Ele considera o mal que faz como um bem e sente-se feliz, mesmo sabendo que está a prejudicar o seu semelhante.

• Quem é que ainda nunca cedeu à tentação de olhar só para a terra e de viver como se não existisse Deus nem mais além?
• Quem é que ainda nunca se sentiu feliz por fazer o mal e prejudicar os outros?
• O pecado existe e tb existe em nós. Se dermos ouvidos à voz da nossa consciência, daremos conta de como também nós somos pecadores e precisamos do perdão de Deus.