27 janeiro, 2009

O POVO NA EUCARISTIA

Por muito que se fale do envolvimento da comunidade na Eucaristia, a Missa ainda parece permanecer, ao olhar de muitos, como um exclusivo do padre.

Cabe-lhe, pois, (como elemento constitutivo da sua missão) motivar a assembleia para a plena participação na Eucaristia. Decididamente, o verbo a conjugar, aqui, não é ir ou assistir, mas verdadeiramente participar.

É bom não esquecer que o Vaticano II apresenta a Eucaristia como «a fonte e o ponto mais alto da vida cristã». Ou seja, é o ponto mais alto não apenas da vida presbiteral, mas de toda a vida cristã (de presbíteros e de leigos).

Os fiéis leigos — assinala o Concílio — «concorrem para a oblação da Eucaristia em virtude do seu sacerdócio real. Pela participação no sacrifício eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela; assim, quer pela oblação quer pela sagrada comunhão, não indiscriminadamente, mas cada um a seu modo, todos tomam parte na acção litúrgica».

O sacerdócio de todos é manifestado e exercitado durante a Missa em dois momentos-chave: a oblação (que é a oferenda e a consagração) e a Comunhão.

Como nos lembra Raniero Cantalamessa, o que Jesus quis dizer com as palavras Fazei isto em memória de Mim (cf. 1Cor 11, 23-26) não foi simplesmente Repeti este rito tal como Eu fiz. Ele quis igualmente dizer Vós, também, deveis fazer tudo o que Eu fiz: também vós deveis oferecer o vosso corpo em sacrifício!

Era isto o que S. Paulo queria dizer quando recomendava aos cristãos que «oferecessem os seus corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus» (Rom 12, 1) e o que S. João tinha em mente quando disse: «Jesus deu a vida por nós; portanto, nós também devemos dar a vida pelos irmãos» (1Jo 3, 16).

Como é sabido, Jesus ressuscitado é o Cristo total, Cabeça e corpo inseparavelmente unidos. Refere ainda Raniero Cantalamessa: «Dentro do grande “Eu” da Cabeça, o pequeno “Eu” de todo o corpo, que é a Igreja, está contido nela. E dentro disso, por seu lado, existe igualmente o pequenino “eu’ que sou eu, e eu também digo às pessoas que estão perante mim: “tomai e comei, isto é o meu corpo entregue por vós”».

O Padre Raniero Cantalamessa confessa de seguida: «Nunca fecho os meus olhos na consagração, antes olho para as pessoas que estão diante de mim. Ou, se estou só, penso nas pessoas a quem sou chamado a ministrar durante o dia, ou penso na Igreja como um todo. E juntamente com Jesus digo a todos: “tomai e comei, este é o meu corpo” (meu, sim especificamente meu)».

Na verdade, «enquanto sacerdote ordenado, a minha intenção, ao dizer estas palavras, é consagrar o verdadeiro corpo e o verdadeiro sangue de Cristo; como cristão com os outros cristãos, a minha intenção é consagrar-me a mim próprio juntamente com Cristo».

Todos somos chamados, leigos incluídos, a oferecermo-nos nesse momento juntamente com Cristo! É claro que os irmãos leigos «sabem que estas palavras, como eles as dizem não têm o efeito de tornar o corpo e o sangue de Cristo presente no altar. Eles não agem, naquele momento, como representantes de Cristo (in persona Christi) como o ministro ordenado o faz. Mas eles unem-se a Cristo.

Por isso eles não dizem as palavras da consagração em voz alta, como o padre, mas sussurrando, na quietude dos seus próprios corações».
Fonte aqui

23 janeiro, 2009

O sacramento do baptismo hoje!

Este tema parece-me cada vez mais sério e a necessitar de uma justa e adequada explicação. O Baptismo não é um acto social e muito menos a manifestação de uma superstição. Se há coisa que me faz sofrer enquanto igreja é o modo como muita gente se aproxima deste sacramento e as resoluções e caminhos que alguns sacerdotes apontam para o mesmo... Em síntese vejamos o que é necessário saber:

O que é o Baptismo?

O Baptismo é um sacramento: um sinal visível - a água e as palavras do celebrante .- que, por sua vez, é sinal de uma realidade invisível mas real: o amor e a salvação de Deus.

O Baptismo é o primeiro sacramento. Pelo Baptismo, abrem-se-nos as portas da vida cristã e passamos as fazer parte da Igreja, a comunidade dos que seguem Jesus Cristo.

O Baptismo faz-nos filhos de Deus. Pelo Baptismo, nascemos para uma vida nova e vivemos a felicidade de ter a Deus como Pai.

O Baptismo une-nos a Jesus Cristo, faz de nós seus irmãos, faz-nos participar do seu mistério pascal: morremos com Ele, somos sepultados com Ele e ressuscitamos com Ele. Com Ele passamos da morte do pecado para a Sua vida sem fim.

O Baptismo dá-nos o Espírito Santo que é a luz que nos ilumina, a graça que nos renova, a força que nos impele a viver o Evangelho e a amar todos os homens e mulheres.

Os Padrinhos

Um pouco de história

A instituição dos padrinhos surgiu na Igreja quando se introduziu o costume de baptizar as crianças. Era necessário que alguém, diferente dos pais, e que representasse tanto a família de quem ia ser baptizado, como a comunidade cristã, se responsabilizasse pelo crescimento na fé da criança baptizada.

Critérios na escolha dos padrinhos

Os pais devem levar muito a sério a escolha de bons padrinhos para os seus filhos, para que os padrinhos não se tornem numa instituição de simples formalismo.

Nesta escolha, não se devem guiar apenas por razões de parentesco, amizade ou prestígio pessoal, mas por um desejo sincero de garantir aos filhos que tenham padrinhos capazes de fluir, mais tarde, de modo eficaz, na educação cristã do afilhado.

O número de padrinhos

Cada criança pode ter um só padrinho (homem ou mulher) ou dois (homem e mulher).

Requisitos para ser padrinho
  • Ter completado 16 anos de idade.
  • Ter capacidade para cumprir a missão própria dos padrinhos
  • Ser católico e ter recebido os três sacramentos da iniciação cristã: Baptismo, 1ª Comunhão e Crisma.

Questões práticas a ter em conta antes do Baptismo

A Veste baptismal
- A veste baptismal deve ser branca. O sentido de branco na liturgia tem a ver com a pureza. Pelo Baptismo a criança é incorporada na Igreja e nasce para uma vida nova, a vida da graça. Esse sentido de nova vida traz consigo a pureza interior simbolizada na veste branca que a criança deve trazer.

A vela do Baptismo - Os pais devem adquirir, atempadamente, a vela do baptismo, que só deve ser acendida no Círio Pascal, durante a celebração do Baptismo, e quando lhes for indicado.

Transferências de Baptismo - Quando o Baptismo é realizado numa paróquia exterior à paróquia de residência dos pais da criança, o processo de baptismo deve ser transferido. Os pais devem contactar o seu pároco, pois, o processo desenvolve-se com critérios específicos que devem ser respeitados.
Encontrei isto http://www.vigararia11.org/baptismo.php?mo=12&yr=2008'>aqui

16 janeiro, 2009

Bispo da Guarda deixa uma interrogação aos crismados: «Que fazer depois do Crisma?»

Nos fins-de-semana de Janeiro, D. Manuel Felício encontra-se com os crismados no ano anterior. Depois de constatar que muitos jovens depois de receberem este sacramento da iniciação cristã «fogem», o bispo da Guarda “não quer que eles fujam”.
«Que fazer depois do Crisma?» é a questão que D. Manuel Felício está a propor aos cerca 70% dos jovens que respondem à sua convocatória. Em 2008, D. Manuel Felício crismou cerca de 1000 jovens. “Começamos por indicar o caminho do Departamento da pastoral juvenil para que a formação não seja interrompida”.

Os jovens são presenteados com palavras de incentivo de D. Manuel Felício, testemunhos de outros jovens e conhecimento de percursos de fé que possam concretizar. “A vivência da fé tem o seu suporte comunitário, sem a qual não é possível andar”.

A preparação para este sacramento e o dia do Crisma está cheia de motivação, mas “depois vem a rotina da vida” por isso mesmo “temos que lembrar aos jovens os compromissos assumidos”.
Fonte: agência ecclesia

03 janeiro, 2009

"Nascido de uma mulher"

O Filho de Deus fez-se homem no seio de uma mulher! E Maria é a mulher na qual se realizou esse mistério. Na verdade, ela concebeu e deu à luz o Filho de Deus, Jesus Cristo. Jesus, o Filho que nasce de Maria, é o Filho de Deus feito homem. Sendo Ele verdadeiro Deus como o Pai e sendo uma única pessoa, Maria é, com toda a justiça, “Mãe de Deus”.
Hoje, oitavo dia do Natal e primeiro dia do Ano Novo, celebramos este mistério admirável: a maternidade divina de Maria! Precisamos de silêncio e de recolhimento interiores para entrar neste mistério e nos maravilharmos com Ele: Maria, uma simples mulher, desempenha esta missão tão divina!
A maternidade divina de Maria não a isenta de todas as limitações e dificuldades humanas. A graça de Deus só por si não garante, automaticamente e como por magia, a compreensão de todos os mistérios divinos e a solução de todos os problemas humanos.
Os evangelhos mostram que Maria nem sempre compreende o que se diz de Jesus nem o que Jesus lhe diz. Nessas circunstâncias, ela guarda as palavras e medita-as no seu coração. A graça de Deus ajuda-a na compreensão da verdade mas não dispensa o seu esforço humano.
Os evangelhos também registam algumas das dificuldades que Maria enfrentou enquanto mãe de Jesus. Ela teve de fugir para o Egipto, juntamente com José, para salvar a vida do Filho, pois Herodes queria matá-lo. Experimentou a angústia da perda do Jesus, quando este decidiu ficar em Jerusalém sem nada lhe dizer. A graça de Deus não impediu que Maria tivesse de enfrentar estas e outras adversidades, mas deu-lhe a capacidade de as superar.
Maria viveu a sua maternidade divina na maior simplicidade e humildade, segundo aquela atitude de serviço que assumiu, no momento da Anunciação, diante do Anjo: Eis a escrava do Senhor”. É como serva, serva cheia da graça e do amor de Deus, que Maria vive a sua maternidade divina. Maria não deve ter partilhado com ninguém esta graça. Com muito probabilidade, durante a sua vida terrena, ninguém, para além de Jesus, considerou e honrou Maria como Mãe de Deus.
Mais tarde, a reflexão, feita a partir dos relatos evangélicos, sobre o mistério da Encarnação do Filho de Deus, levou a Igreja, no Concílio de Éfeso (431), a apresentar como verdade de fé a maternidade divina de Maria. Agora, todo o povo cristão a invoca como a Santa Maria, Mãe de Deus, implorando a sua materna intercessão.

“Deus enviou o seu Filho … para nos tornar seus filhos adoptivos”. Deus, em Jesus, faz de nós seus filhos. Mais, envia ao nosso coração o seu Espírito, para nos capacitar a chamá-lo Pai. Graças á generosidade do seu amor, podemos, com toda a legitimidade, chamar a Deus: “Pai-Nosso”. Este facto mostra até que ponto Deus nos ama e como o seu amor atinge o mais íntimo e a totalidade do nosso ser. Faz pensar que Deus queira ser nosso Pai e nos trate efectivamente como seu filhos!
Este pensar e meditar à luz da fé leva-nos a tomar consciência de que Deus é Pai de todos os homens e, consequentemente, todos os homens são nossos irmãos. Como é importante e necessário meditar, longa e profundamente, nesta verdade, tirando e assumindo todas as suas consequências. O amor que Deus Pai partilha com todos os homens torna-os capazes de se amarem uns aos outros como irmãos!
A fraternidade humana e só ela, quando entendida e vivida à luz do amor de Deus Pai, leva cada homem a reconhecer a igualdade de todos os outros homens e a respeitar os seus direitos. A fraternidade humana impele-nos a querer para os outros o que queremos para nós, motiva-nos a fazer aos outros o que queremos que eles nos façam, a tratá-los do mesmo modo que desejamos ser tratados por eles. Numa palavra, a fraternidade humana universal, que brota da comum filiação divina, é o único caminho que garante a justiça e a paz entre os homens.

Hoje, primeiro dia do Novo Ano, a Igreja convida-nos a reflectir e a rezar pela paz. A paz é, antes de mais, um dom, uma bênção de Deus. A bênção que os sacerdotes do Antigo testamento deviam dar ao povo incluía este voto: “O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz”.
Mas a paz na terra exige também o esforço do homem. Jesus, no Sermão da Montanha, proclama: “Felizes os construtores da paz (os pacificadores), porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). Os filhos de Deus, precisamente porque filhos de Deus, têm uma maior responsabilidade e uma capacidade acrescida na construção da paz.
Como dissemos antes, a nossa condição de filhos de Deus, quando tomada a sério, impele-nos e ajuda-nos a considerar os outros como iguais a nós, a amá-los e a respeitá-los, com a mesma dedicação e intensidade, como queremos ser respeitados e amados por eles.
O pior inimigo da paz (da convivência harmoniosa entre os homens) está no mais íntimo de nós e da forma mais entranhada: é o nosso egoísmo. O egoísmo leva-nos a considerar que:
  • somos mais importantes e temos mais direitos do que as outras pessoas;
  • a apropriar-nos do que não nos pertence e a não partilhar o que temos a mais;
  • a não reconhecer os nossos erros nem a perdoar a quem nos ofende;
  • o egoísmo cria preconceitos, fundamenta diferenças e justifica desigualdades;
  • cultiva as aparências, alimenta a inveja e fomenta a vaidade;
  • o egoísmo torna-nos cegos em relação às capacidades e qualidades dos outros e, por conseguinte, impede-nos de as apreciar e de beneficiar delas;
  • o egoísmo leva-nos a usar os outros para satisfazermos os nossos interesses e atingirmos os nossos objectivos. O egoísmo tem, por tudo isso, um potencial ilimitado de conflitualidade e de violência.

Ele está na base de todas as discórdias e guerras.
Neste dia, um pouco por toda a parte, proferem-se discursos ou fazem-se homilias sobre a paz, onde se apresentam as soluções ou remédios considerados necessários e eficazes para que a paz efectivamente aconteça. Com muita facilidade e frequência, os protagonistas dessas intervenções caem na tentação de indicar os remédios que os outros devem tomar, dispensando-se de fazerem o que está ao seu alcance e é sua obrigação, em razão dos lugares que ocupam e das funções que exercem. As suas belas palavras são, depois, desmentidas ou desacreditadas pelo tipo de vida que levam.

  • Falar da luta contra a pobreza como o caminho da paz e, ao mesmo tempo, viver e apresentar-se com o esplendor próprio dos ricos e como se fossem deuses, não bate muito certo com a lógica da humildade de Deus!
  • Defender a justiça, na base da igualdade de todos os homens e, depois, manter e defender tantas formas de desigualdade injustificável no seio da própria Igreja, não bate muito certo com a lógica da justiça de Deus!
  • Exortar os homens a abandonar todo o tipo de ódio e de inimizade, de ambição e competitividade desonesta, de rivalidade e inveja, e, depois, manter estruturas na Igreja que suportam e fomentam todas essas realidades negativas e perturbadoras das relações humanas, não bate bem com a lógica do amor de Deus!

As palavras e as sugestões têm o seu lugar, mas o mais importante é o que nós fazemos para que a paz aconteça na nossa vida e ao redor de nós. A nossa luta deve, pois, centrar-se no nosso egoísmo, atendendo a todas as suas manifestações.
O amor de Deus Pai é o único antídoto capaz de erradicar o vírus poderosíssimo do nosso egoísmo. Só este amor paterno de Deus, quando acolhido no nosso coração, nos capacita para amar aqueles que vivem connosco, amá-los como Ele os ama e quer ser amado neles. Só reconhecendo e respeitando os homens como filhos de Deus e nossos irmãos, seremos verdadeiros construtores da paz e, nessa mesma medida, mereceremos ser chamados filhos de Deus.

Presépios na Aldeia